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Manifesto Multimídia em prol da memória Brasileira


Qualquer cidadão que busque informações a respeito deste caos social urbano e rural em que vivemos, irá se deparar com um modelo econômico de exploração nacional, que vem sendo desenvolvido há muito tempo e até hoje vem sendo combatido por brasileiros, que não concordam com esta organização social precária e as conseqüências dessa política econômica para a maioria da população.
O que se passou com o modelo implantado após o golpe militar de 1964 no Brasil, é um momento esquecido pelos caminhos de nossa história oficial, deveria sim, ser mais usado para fins de educação política, uma vez que até as cobras, como as gerações humanas, trocam de pele e não mudam a história vivida.


Comício de 13 de março de 1964. Cerco a Brasília.


Tanques mobilizados em 1o de abril de 1964. O presidente sai para o exílio.

Com a quebra da ordem institucional, nem todos conseguiram sair do país.
Outra época de nossa mesma história; entre os anos de 1960 e 1980, noções distintas de soberania, de democracia para a maioria e de modelos de desenvolvimento, estavam em conflito agudo e enfrentamento aberto. Foi uma época muito rica, marcada pela ruptura real e a luta armada como expressão da luta de classes, porém, desenrolaram-se momentos dolorosos em vários países na América Latina. O ato de ver o para que e como lutaram, os erros e os acertos, os fluxos e refluxos; faz-nos avançar nesse, já histórico, processo contínuo de conflito de interesses. 

Confronto; repressão política, tortura e extermínio, morte não só de pessoas, mas também por um certo tempo, de políticas discordantes. 

As limitadas democracias foram sendo desmontadas a golpes de canhão, não pela guerra fria, mas sim através da guerra suja, uma estratégia agressiva desenvolvida pelos Estados Unidos para controlar economicamente o continente, um conceito de guerra aplicado pela primeira vez em grande escala, na Guatemala de 67. 
Os interesses norte-americanos impuseram em vários países a ditadura como modelo político e canal para enraizar seus tentáculos, a intervenção em São Domingos, é um marco importante na estratégia militarista de intervenção norteamerica na América Latina, pois é executado por uma força de paz e aponta como deverão ser as respostas ao clima de conflito e insatisfação popular que se avolumava em vários países do continente, é resultado de uma política dos militares americanos que foram desenvolvendo articulações com os exércitos de vários países, treinando seus militares e articulando toda uma tropa continental, para o controle ou aniquilação das forças sociais contrárias aos seus projetos de exploração. Seguiram-se massacres na Bolívia, Peru, Paraguai, Chile, Colômbia, Argentina, Uruguai e tantos outros países da América Central. Alguns anos depois a Operação Condor desenvolvida conjuntamente por vários exércitos de países sul-americanos era uma das lições de casa dos professores norte-americanos. 


No Brasil de 64, a reação violenta dos Estados Unidos e das elites sociais através do exército, da marinha, da aeronáutica e de todo aparato policial dos estados e municípios, impôs um regime militar a toda sociedade brasileira. A partir do AI-5 o país entrou mais pesado nessa guerra suja americana. A resistência de brasileiros da época ao governo foi impulsionada por comunistas históricos, onde homens e mulheres se associaram em organizações revolucionárias e estudantes, militares, operários, políticos, padres, lavradores, pegaram em armas, apontando a postura a seguir neste conflito de permanente enfrentamento. 

Das associações políticas secretas ao aniquilamento físico de seus integrantes, durante a luta, da clandestinidade, da prisão ou do exílio, estas pessoas escreveram para a história, escreveram para as gerações futuras de brasileiros. Não deram somente o exemplo de coragem e desprendimento que tanto falam ao lembrarem deles, deixaram idéias, lutaram por propostas de distribuição de renda e de desenvolvimento para a nação, discutiam qual seria a estratégia viável para resgatar a riqueza roubada de todos os que trabalham e melhorar o padrão e a qualidade de vida dos que na política costumam a chamar, até hoje, de povo. 


Podemos ver em que deu essa aventura do exército brasileiro em seus cinco governos militares, ditando e atrelando as políticas do país a interesses externos e a seus fluxos de capitais.

Reduziu-se a presidência da república a um cargo na engrenagem toda, um joguete nas malhas dessa articulação poderosa de interesses externos, chamada de forças ocultas em nossa história passada, forças essas que vêm desenvolvendo estratégias de perpetuação no comando do estado brasileiro, única e exclusivamente para facilitar os seus negócios, onde sem escrúpulo algum, por meio de institutos de pesquisas e ativando mecanismos de mídia para manipulação da opinião pública, conseguiram uma cadeia contínua de sucessões presidenciais favoráveis à expansão dos interesses estrangeiros, mantendo o controle da nação, até o atual governo de Fernando Henrique Cardoso.

Não nos tornamos uma Republica Sindicalista como temiam, ou sucursal de Cuba, cujo índice de analfabetismo hoje, passados trinta e tantos anos de um intransigente e desumano bloqueio econômico, é zero; com o golpe militar de 1964 reafirmamos o papel de colônia, país servo dos Estados Unidos, numa política que vem até nossos dias, por meio da participação de empresas estrangeiras em nossa economia e de uma dívida externa criada para poucos; riquezas e divisas somem numa prática política corrupta e predatória, sem preocupação alguma pelo desenvolvimento social e nociva para a maioria da população. 

Quem manda é o dólar, vivemos em um modelo econômico de exclusão social, de pauperização geral da sociedade, de grande concentração de renda, de entrega do patrimônio nacional e de exploração norte-americana das riquezas minerais de nosso território, continuamos sendo expropriados como os portugueses e espanhóis nos fizeram no passado, somos um povo analfabeto, sem memória e precário, somos, como nação, uma miséria fértil onde o tráfico de drogas, o crime organizado e a prostituição se enraízam como uma alternativa de sobrevivência para muitas pessoas, fenômeno que acontece não só nos morros, favelas e cortiços, mas também com "nobres senhores" que ocupam cargos importantes em vários setores desta república. Somos um país na bancarrota, sem saúde, que tem como ponto principal de sua política honrar a dívida para com os países e bancos credores, uma dívida, que se pudesse ser auditada levaria, não poucas, figuras ilustres da nação para a cadeia. 
Passados quase quarenta anos do golpe de 64, não há respeito pelas convenções de direitos humanos, muito pelo contrário, comumente vítimas viram réus, torturam-se presos comuns de forma generalizada pelas delegacias do país, há fome e subnutrição em muitos pontos de nossa federação e muitos brasileiros vivem desempregados, fazendo bico numa economia paralela e desregulamentada, onde pelas cidades ou em aterros sanitários, outros tantos subsistem como em Ilha das Flores, da cata do lixo. 


É cruel a condição de vida neste país.


Mas essa aventura, em que fomos embarcados a força pelos militares das três armas, não foi unânime. Sempre houve vozes que discordaram e chamaram a nação à razão. Muitos lutaram por outro caminho, perdeu-se a batalha, ledo engano; a guerra. Vivemos em conflito social há muito tempo, nossa sociedade é desigual e corrupta há muitos séculos e sempre correu sangue em nosso país. Corre até hoje na luta diária de pessoas, que inconformadas com a situação de miséria na qual vivem muitos brasileiros e conhecendo a opulência dos ricos e famosos em "Caras", vão à luta, como no conflito de Eldorado do Carajás, no Pará, e continuam morrendo por terra, educação e pátria soberana.


O golpe de 1964 aconteceu a fim de abafar, de uma forma dita definitiva, a possível mudança social que encorpava com a movimentação popular daqueles tempos de síntese do governo João Goulart. Deposto o presidente, entrou o Brasil nação do futuro, onde é preciso primeiro crescer para depois dividir as riquezas; este desgastado ilusionismo político de falsa-esperança, na verdade, já não esconde mais a prática do nunca existirá tal divisão, afinal jamais fora cogitado tal participação da população nos benefícios do poder. 
Puro embuste; para não ser feita uma reforma agrária bem como manter a renda concentrada, que se correu com a nação e os direitos dos cidadãos; para não deixar quebrar este ciclo e aumentar a presença norte-americana em nosso país, que se instalou a guerra. 

A expectativa e a esperança vividas antes de 64 e o que se passou nestes anos de exceção, vive enraizado no dia a dia de gerações de brasileiros que herdam de seus pais e estes dos seus avós e assim sucessivamente, somente as misérias vividas. 
É preciso alimentar a memória coletiva em um país que pouco lê sobre si e que tem seus cidadãos basicamente correndo atrás da sobrevivência dia após dia. É preciso que algo mude neste país, que os interesses dos brasileiros sejam respeitados e se tornem hegemônicos, alcançando a todos os nascidos no Brasil e não somente uma minoria destes. 


Houve uma luta aguerrida para que houvesse um país próspero e dignidade para os cidadãos, não se trata de mitificar os participantes, mortos ou sobreviventes, que buscaram com suas atitudes promover um outro conceito de pátria, mas sim de preservar para a memória coletiva as vivências desta época conflituosa através dos gestos e registros de seus atores; anônimos ou não. Hoje o conflito continua presente na sociedade e se apresenta agudo, as forças sociais travam suas batalhas cotidianas e há indignação país afora com o cinismo dessa elite que continua fingindo que tudo está na mais perfeita ordem.


O enfrentamento ao regime militar foi uma etapa desta luta que se estende até hoje e agrupar a documentação existente, criando um ambiente de pesquisa favorável para um estudo da época, disponibilizando informações, possibilitando a leitura de documentos na íntegra, cruzando dados e confrontando versões, poderá contribuir para o amadurecimento político dos agentes sociais e do fortalecimento dos movimentos de transformação de nossa sociedade. Neste armazém a memória narrada não é linear, a linha do tempo se dá por uma sobreposição dos fatos disponíveis em uma biblioteca virtual, com filmes, fotos, áudios, textos e livros, que vão se relacionando por atalhos, tornando a leitura móvel, para que o leitor construa seus próprios nexos sobre este tempo de guerra. 

Para que aquele 1964 nunca mais se repita.
Para que possamos nos situar embasados na experiência vivida por vários companheiros de um passado não tão distante assim.
Para que a história vivida seja um professor atuante e estejamos assim preparados para as exigências dos dias que virão.
Para fazermos frente àqueles que buscam interromper o processo de libertação dos brasileiros. 


Para construirmos a unidade na luta, exigência histórica fundamental para o avanço de um processo transformador, que montamos este armazém.
É um trabalho de resistência e de base; a tarefa de documentação deste período da luta pela nossa emancipação é mais uma frente pelo resgate da dignidade das pessoas que vivem neste país. 

A memória é um aliado nas decisões pessoais e é uma fonte inspiradora de atitudes.

Marcelo Zelic 

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