
GÊNERO
E DIREITOS HUMANOS
CERIS Centro
de Estatística Religiosa e Investigações Sociais
Na
Conferência Mundial sobre Direitos Humanos (Viena, 1993)
foi reafirmada a igualdade de direitos de direitos de
homens e mulheres considerando qualquer forma de
discriminação sexual como ação criminosa.
Embora
as duas últimas décadas nos revelem que as mulheres
venham exercendo influência sem precedentes na família e
na sociedade, conseguindo espaços no campo profissional e
na política, na maioria dos países elas ainda não
desfrutam de igualdade de direitos com os homens, no aceso
à educação, no preparo profissional, nos salários, nas
oportunidades de trabalho e nos postos de destaque. Em
nosso país, particularmente, há uma disparidade entre os
Direitos Humanos que as mulheres possuem (perante a lei) e
a possibilidade real de desfrutá-los.
Isso
se deve em parte ao descobrimento que as mulheres têm de
seus próprios direitos, situação, aliás, comum à
sociedade como um todo. Ao nos referimos a estes direitos
estamos nos remetendo tanto à situação de violência
corporal que as mulheres são vítimas, como também à
toda forma de discriminação praticada contra elas, ainda
de maneira bem acentuada, e impedem que assumam seu lugar
na vida familiar, social, cultural e política. O trabalho
da mulher é ainda visto como secundário, complementar e
essa é, também, uma das muitas formas de violência
cometidas contra ela.
A
desinformação sobre os direitos da mulher se soma à
falta de orientação de como proceder e de como denunciar
casos de violação de seus direitos básicos. Este, no
entanto, não é um tema que toca apenas as mulheres.
Algumas organizações, que têm sua atuação voltada
para os Direitos Humanos exercem um importante papel
capacitando homens e mulheres tendo em vista: a) informá-los
sobre os direitos humanos, ou seja os direitos que homens
e mulheres devem desfrutar de forma igual e completa,
tendo em vista eliminar as formas de discriminação
contra a mulher; Brasil) orientá-los nas denúncias de
casos de violência e discriminação de gênero.
Acreditamos
que o espaço de debate para a questão da mulher tem avançado
muito em função do trabalho desenvolvido pelas organizações
feministas e inúmeras ONGs que dirigem sua atuação
contra as várias formas de violência e discriminação
cometidas contra a mulher, problemas de emprego, saúde,
família, desenvolvimento rural, condições de vida nas
cidades, educação, etc.
Enquanto
existir violência e discriminação e enquanto estas não
forem abolidas e condenadas, permanecerá a necessidade de
organizações que trabalhem para esclarecer e orientar a
população nessa direção. Assim, as ONGs que dirigem
seu trabalho para mulheres bem como os centros de Direitos
Humanos têm nestas questões uma forte justificativa para
sua existência. Elas contribuem para orientar e
fortalecer as organizações, inclusive de mulheres para
conseguir igualdade perante a lei para que estas possam
ter acesso a uma posição independente e melhores condições
de vida garantindo as liberdades fundamentais inscritas na
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Rio
de Janeiro, julho de 1999
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