
RUMO ÀS AMÉRICAS DE 2005:
DEMOCRACIA, DESENVOLVIMENTO E PROSPERIDADE
Implicações e impactos
legislativos, políticos, sociais e culturais
do processo de integração econômica das Américas
Grupo de Trabalho: Direitos
Humanos
"Violência e Crime nas
novas democracias: desafios para a próxima década"
Alocução do Sr. Paulo Sérgio
Pinheiro
Diretor do Núcleo de Estudos sobre a
Violência da Universidade de São Paulo
A humanidade vai ter uma
oportunidade única de começar um novo milênio. Transição:
passagem, mudança, de um lugar para outro e de um conjunto de
circunstâncias para outro. A passagem de um simples ano para
outro, de uma década para a próxima de um século para o
seguinte, excita as pessoas. Se assim for, a inauguração de um
milênio provoca o mesmo espanto que a passagem de um cometa:
novos começos trazem com eles a claridade dos momentos
fundadores, que têm a qualidade do inesperado.
Mas haverá razão para otimismo,
para grandes esperanças ? O fim do século XIX viu surgir o
conceito de fin de siècle que foi imediatamente seguido pelo fascínio
da belle-époque e pelo florescimento da art- nouveau nas artes
aplicadas. A revista The Economist lembrava-nos recentemente que a
passagem de um milênio é um fim e começo, e que o otimismo no
fim do século XIX não era compartilhado por todo mundo e cita o
ensaista George Steiner falando de um " grande
mal-estar" que prenunciava imagens de destruição. Os
fantasmas da Primeira Guerra Mundial já estavam à espreita da
humanidade do outro lado do espelho.
Talvez seja prudente não contar
com mudanças dramáticas quando entrarmos no terceiro milênio.
Em toda transição o passado ainda não está morto: nem passado
é ainda. O futuro é algo que começa a tomar forma no momento
presente : as sociedades não serão dramaticamente diferentes do
que elas são do final do século XX, chamado de "século
curto " pelo historiador Eric Hobsbawm.
Em muitos países
latino-americanos, como no Brasil, uma dos maiores legados do
passado é um dramático ?gap' entre a letra da lei e o mundo real
da implementação da ordem. Apesar do retorno à democracia,
persiste uma situação de violência endêmica, caracterizada
pela combinação de violência intensa nas interações pessoais
e nas formas de dominação política, de altos níveis de
criminalidade, da implantação do crime organizado e pela persistência
das graves violações de direitos humano, fruto do arbítrio das
instituições do Estado, com impunidade generalizada. A pacificação
no interior da sociedade na sociedade, que deveria ter sido
assegurada pelo monopólio da violência física pelo Estado, com
o fim os organismos clandestinos de repressão, apesar do estado
de direito, continua precária.
Desigualdade e violência
A criminalidade violenta tem
crescido na maior parte das sociedades latino-americanas,
especialmente a partir dos anos 1980. Em quase todos os países da
região, com exceção da Costa Rica, entre as mortes por causas
externas, são altas as taxas de homicídio. Na cidade de S.Paulo
,os homicídios e suas tentativas que em 1988 atingiam uma taxa de
41,6 por 100000 habitantes, passaram para 50,6 em 1991, para 44,0
em 1992 chega a 50,2 em 1993.
Nas manifestações mais visíveis
dessa criminalidade individual, sobressaem crimes individuais
contra a vida ou a integridade física [ homicide and assault] (
either intentional or non- intentional)] ; contra a propriedade
theft, robbery and fraud];ofensas contra a liberdade sexual [
rape] - e a criminalidade organizada. A criminalidade violenta,
como o homicídio, em geral tem como alvo aqueles em posições
sociais similares. Os bairros populares e as habitações
irregulares são o espaço da violência : na maior parte das regiões
metropolitanas há uma coincidência entre os lugares onde os
pobres vivem e a morte por causas violentas. Há clara correlação
entre as condições de vida, violência e taxas de mortalidade. A
violência, como observou Amartya Sen, é claramente uma parte
significativa da social deprivation - a alta mortalidade por
causas externas nos bairros populares reflete mortes causadas pela
violência, ainda que ela não seja a única causa de mortalidade.
O grupo social que tem apresentado
os níveis mais altos de crescimento de homicídios - colocando
diversas grandes cidades latino-americanas no mesmo patamar - são
os jovens. Na cidade de S.Paulo na faixa de idade entre 15 e 24
anos a média e S.Paulo é de 102,58 homicídios por ano para cada
100 mil habitantes de 15 a 24 anos. Há alguns bairros da capital
que as cifras de homicídios nessa mesma faixa atingem níveis
entre 197 e 222 homicídios ( mais de dez vezes a média nacional
de homicídios no Brasil) que poderiam ser considerados como epidêmico.
Sem pretender estabelecer uma relação
direta entre pobreza e violência ou criminalidade, é indispensável
levar em conta a noção de desigualdade na distribuição de
renda e de acesso aos recursos disponíveis. Países com maior
desigualdade, com altos índices de concentração da renda nos
grupos de maior ingresso, tender a ter índices de criminalidade e
de violações de direitos humanos mais altos.
Justamente em todas as sociedade
latino-americanas os jovens são o grupo mais atingido pelas
conseqüências catastróficas dos processos de exclusão social e
de desigualdade, submetidos ao impacto do aumento de desemprego,
da ruptura das estruturas familiares e da desintegração dos
valores. A exclusão que se vem consolidando nos países em
desenvolvimento na América Latina resulta numa alta percentagem
de adolescentes a níveis de educação extremamente baixos e a
altas taxas de desemprego e sub- emprego. Em conseqüência, para
largos contingentes da população o crime que acaba sendo uma
forma fácil e rápida de ascensão social :os jovens freqüentemente
tendem a compensar a exclusão pela adesão às gangues de rua e o
envolvimento com o narcotráfico.
Práticas arbitrárias e
"social deprivation"
Essa violência endêmica
implantada num contexto de largas desigualdades econômicas e num
sistema de relações sociais profundamente assimétricas, não é
um fenômeno novo na região, ainda que se tenha agravado as duas
últimas décadas: é a continuação de longa tradição de práticas
de autoritarismo das elites contra as "não elites" e no
interior das próprias classes populares. O retorno ao
constitucionalismo democrático não eliminou a continuidade de um
autoritarismo presente na sociedade.
Os milhões de pobres,
especialmente os grupos mais vulneráveis nas sociedade - como os
povos indígenas, os negros, os camponeses sem terra, as crianças
de rua e os homossexuais - estão sujeitos ao arbítrio policial
sistemático, pouco afetado pela democracia. Esse arbítrio
complementa-se e conjuga-se com a discriminação, que com a
desigualdade, é um importante determinante dos níveis nacionais
de homicídio: medidas de discriminação racial ou econômica
contra grupos social tendem a aumentar as taxas de homicídios
nacionais.
Uma sociedade de exclusão, uma
democracia sem cidadania, vem progressivamente tomando de nossas
sociedades, especialmente em meio urbano . O ambiente, entendido
como - meio familiar, meio cultural, situação social contribuem
para que os grupos mais atingidos pelo desemprego, fora do sistema
de educação marginalizados estejam mais submetidos à vitimização,
tanto como resultado do crime como da repressão arbitrária da
polícia. As violações estruturais dos direitos humanos que se
encontram arraigadas na estrutura econômica e social destruem
tanto os princípios democráticos como a violência ou as violações
dos direitos civis. As crises, consequências dos programas de
ajuste econômico à globalização separam, como disse Hector
Castillo Berthier, como nunca as pessoas, os pobres e os
remediados nas sociedades, como se fossem água e óleo.
As pessoas vivem isoladas, sem uma
rede social que as envolva, consequência da crescente
desigualdade social. Esta é a situação predominante nas
diversas formas de habitação popular presentes em quase todas as
cidades latino-americanos :nos mocambos em Recife,nas favelas no
Rio de Janeiro ou em S.Paulo, no Brasil, nos ranchos em Caracas,
nas barriadas em Lima, nos campamentos em Santiago, nas ciudades
perdidas no México, nas villas misérias na Argentina.Essas
diversas formas de habitação irregular, "periféricas"
que incham as cidades, alargando aparentemente as taxas de
urbanização, como mostrou Ignacy Sachs dissimulam o fato
"de que a maior parte dos habitantes das megalópoles dos países
em desenvolvimento não possuem as condições mínimas daquilo
que se pode chamar de vida urbana. A partir do êxodo rural,
vai-se aglomerando numa espécie de pré- cidade geográfica e
social que reúne habitações precárias e perigosas, insegurança
no acesso ao trabalho e à renda e dificuldade de obtenção de
serviços básicos".
Nos espaços dessas "pré-cidades",
para usar a expressão de Ignacy Sachs, onde vivem os excluídos
socialmente, sem o amparo das instituições do Estado, a pacificação
posta em prática pelo Estado moderno, através da grande
"invenção sócio - técnica", do monopoly of the
legitimate use of physical violence, existe precariamente. Nesses
milieus a man's reputation continua ainda a depender em parte da
manutenção de uma ameaça crível de violência. Ora, como
Martin Daly e Margo Wilson apontaram, " onde quer que esse
monopólio esteja relaxado - tanto na sociedade inteira ou no
interior de uma classe abandonada - então a utilidade da ameaça
torna-se evidente ".Qualquer afronta menor pode então ser
interpretada como um "estímulo" para ação isolada no
tempo e no espaço. E um dos objetivos primordiais da violência
é demonstrar, convencer seus pares que você é capaz de defender
seu status :quando os homens matam outros que eles conhecem,
geralmente há uma audiência( ou uma referência à reputação).
Não podemos esquecer que a violência em larga medida é
performance.
Uma das explicações para essa
inner- city violence pode ser portanto uma " perda de
estrutura na sociedade": num ambiente onde a violência é
considerada legítima, a inclinação humana para a violência
pode ser sempre reiterada. Largos contingentes da população
vivem em comunidades onde as restrições sociais foram
dissolvidas.. Mas para evitar cairmos em determinismos, leve-se
também em conta também que a violência pode ser simplesmente a
reação de pessoas normais a circunstâncias opressivas - por
exemplo a pressão do crime organizado e do arbítrio da polícia,
como observou Loic Wacquant observou. Os pobres e espoliados estão
ameaçados de serem mais vitimizados pela violência e pelos
aparelhos repressivos. No Brasil aqueles cuja renda familiar está
abaixo da linha da pobreza, conforme mostrou a última pesquisa
Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) em 1988, foram mais
vitimados por crimes violentos que qualquer outro contingente da
população.
Mas raramente a análise da
criminalidade faz essas qualificações: as altas taxas de violência
e de crime servem para manter vivo o fear of crime como uma ameaça
que vem das classes populares, as "classes perigosas",
aliás a maioria das vítimas. O que tem permitido a manutenção
de pautas intensamente ilegais na repressão ao crime nas novas
democracias.A percepção do crime pela opinião pública, se
levarmos em conta a maioria esmagadora dos processos e dos
condenados de justiça são fundamentalmente aqueles delitos
praticados pelas classes populares. As práticas criminosas das
elites - como a corrupção, os golpes financeiros, a evasão
fiscal - não são percebidos como ameaças evidentes. O crime
organizado - como o narco-tráfico, a lavagem de dinheiro, o
contrabando, inclusive o muito rentável mercado de armas não são
alvos de políticas repressivas consistentes.
Instituições e impunidade
Entre os anos 1970 e 1990 muito países
experimentaram transições de regimes autoritários para regimes
democráticos. Em 1990 nove em dez países da América do Sul
tinham governos democráticos, em comparação com oito governos não-
democráticos em 1974.Mas apesar dessas mudanças políticas,
muitos países não tiveram sucesso, para dizer o menos, em
assegurar o controle legal da violência.
O retorno ao governo civil trouxe a
esperança em muitas sociedades que os direitos humanos
conquestistados para a proteção das oposições políticas sob
as ditaduras militares pudessem vir a ser estendidas para todos os
cidadãos, em especial para aqueles grupos mais destituídos e
vulneráveis. Ainda que que as formas mais brutais de violações
dos direitos humanos usuais contra os dissidentes políticos
tenham sido eliminadas sob o governo civil, as democracias não
conseguiram até o momento proteger efetivamente os direitos
fundamentais de todos os cidadãos.
Note-se, entretanto, diferença
fundamental entre os dias de hoje e o passado quando se avalia
essas graves violações de direitos humanos: o Estado não
coordena, como na ditadura, as ações de violência ilegal -
mesmo que muitos de seus agentes continuem cometendo abusos. Mas
se na democracia o Estado não organiza a coerção paralela e
ilegal, sua responsabilidade consiste em não se omitir, em
impedir as práticas repressivas ilegais por parte das agências
do Estado e em debelar a impunidade desses crimes como agueles
cometidos por particulares. Ora, o Estado democrático e os
governos eleitos no Brasil e em muitos países da América Latina,
quando não são coniventes tem sido omissos e incapazes de
debelar as práticas criminosas e garantir a pacificação na
sociedade.
Em muitos países, como Guillermo
O'Donnel demonstrou, a instalação de um governo eleito
democraticamente não abre necessariamente as vias para formas
institucionalizadas de democracia- especialmente nas áreas de
proteção dos direitos das maiorias excluídas. Em muitas
democracias emergentes sem uma tradição democrática, a
"segunda transição" depois da "primeira transição
" do regime autoritária - é imobilizada por muitos legados
negativos do passado autoritário.
Se nós considerarmos a
continuidade de práticas autoritárias no funcionamento do exercício
da violência física pelo Estado sob o constitucionalismo democrático
como constituindo um novo sistema de governo - mas ainda incapaz
de atender os requisitos da formalidade plena da democracia -
talvez possamos explicar melhor o funcionamento dinâmico de vários
sistemas políticos na América Latina. Diante da continuidade de
graves violações de direitos humanos - detenções arbitrárias,
tortura, execuções sumárias- da impunidade, da "non-
accountability" dos funcionários do Estado, poderíamos
propor que os regime autoritários e os novos governos democráticos
civis são expressões apenas diferenciadas de um mesmo sistema de
dominação pelas mesmas elites, independentemente da periodização
política e das transições.
A sobrevivência do legado
autoritário
Uma explicação provável para
essa continuidade é que uma forma social de autoritarismo, que
poderia ser chamado de "socially rooted authoritarianism"
sobrevive muito além da democratização política. Esse
autoritarismo está não apenas presente no funcionamento das
instituições macro-políticas ( como a polícia ), como
demonstram as freqüentes violações de direitos humanos, mas
também nos micro- despotismos da vida quotidiana, expressos pelo
racismo, a intolerância, as hierarquias. Nas novas democracias há
profundas práticas autoritárias que perpassam não apenas as práticas
política mas as práticas sociais no seu conjunto, especialmente
na assimetria, fundada na profunda desigualdade econômica, entre
os grupos sociais. Implantar um funcionamento democrático nas
instituições estatais de controle da violência - como polícia,
judiciário, ministério público, assistência judiciária - tem
sido muito mais difícil do que se esperava durante as mobilizações
contra o regime autoritário.
Há uma desigualdade dramática
entre ricos e pobres, um gap profundo e histórico que não tem
sido diminuído. A falta de controles democráticos sobre as
ruling classes continua a combinar-se com a negação dos direitos
dos pobres.Essa combinação reforça fortes hierarquias sociais,
onde os estado direito é mais uma referência ilusória do que
realidade. Em conseqüência, somente os poucos setores da
sociedade que tem acesso a condições razoáveis de sobrevivência
econômica e social, beneficiam-se do controle efetivo que a
democracia exerce sobre a violência física: para a maioria pobre
e miserável das populações o arbítrio continua a ser a face
mais visível do Estado sob a democracia.
Mais do que em outros países do
mundo, na América Latina, apesar das constituições democráticas
e dos códigos penais, a percepção do crime está diretamente
influenciada pelo uso que as elites fazem dos aparelhos judiciais.
Há uma confluência entre os alvos do medo do crime, das políticas
judiciais e da percepção da mídia das práticas criminosas que
são os crimes comuns. Em conseqüência,as políticas de prevenção
do crime - especialmente aquelas propostas nas campanhas
eleitorais - visam menos reduzir e controlar o crime e as
oportunidades de delinqüir ou aprofundar a eficiência de políticas
de prevenção ao crime mas a apenas diminuir o medo e a sensação
de insegurança das ruling classes.
Grande número dos cidadãos latino
- americanos não acredita que o Estado tem ou tenha tido empenho,
mesmo após as transições políticas, em implementar as leis com
igualdade e imparcialmente para todos os cidadãos e muitos estão
convencidos que o sistema judiciário existe para proteger os
poderosos, como recentemente constatou Alfred Stepan. Esse
descompasso entre as garantias formais e as violações persiste
porque corresponde a um outro descompasso entre a letra da
constituição, das leis, dos códigos e o funcionamento concreto
das instituições encarregadas de suas proteção e implementação,
e as práticas de seus agentes, como o judiciário e a polícia.
As instituições de controle da violência tendem a se tornar
inoperantes numa sociedade virtualmente ingovernável dentro dos
parâmetros do direito, criminalizada e afetada por uma violência
endêmica.
Os judiciários de quase todos os
países apresentam, em maior ou menor grau, alguns problemas que
podem ser considerados emblemáticos. A lei continua a ser
percebida como um instrumento de opressão e esteve sempre ao
serviço dos ricos; o sistema judiciário desacreditado pela sua
venalidade e ineficiência, com pouca autonomia, durante e depois
do sistema democrático. Deficiente sob todos os aspectos : faltam
recursos materiais, há excesso de formalidades nos procedimentos
judiciais, número insuficiente de juizes, número insuficiente de
jurisdições, insuficiente formação profissional dos juizes. As
práticas dos tribunais judiciais na maioria dos países estão
ligadas à forma hierárquica e discriminatória que marcam as
relações sociais. Muitos judiciários tem sido impotentes em
face do crime organizado, com ligações inclusive com o narco- tráfico.
A incompetência do judiciário
fica flagrante nas novas democracias diante da incapacidade do
governo em investigar e processar aqueles que cometem graves violações
de direitos humanos, como por exemplo homicídios em conflitos
rurais no Brasil ou assassinatos de lideranças sindicais no
Chile.
O sistema judiciário e a polícia
são virtualmente ausentes quando se trata da investigação e
proscution de violênca rural contra os pobres.No Brasil, segundo
a Comissão Pastoral da Terra, entre 1964 e 1992, houve 170
assassinatos de camponeses, trabalhadores rurais, lideres
sindicais e advogados, assim como religiosos atuando como
assessores em conflitos rurais e trabalhistas: apenas trinta
desses casos foram trazidos a julgamento até 1992 e somente
dezoito desses casos resultaram em condenações. Entre os 1542
sindicalistas assassinados no Chile desde 1986, nenhum dos
assassinatos levou a alguma condenação.
Ainda que as violações sejam
extremamente variadas há um fator crítico comum a todas elas no
continente que á impunidade. A impunidade está virtualmente
assegurada para aqueles que cometem ofensas contra vítimas
consideradas indesejáveis, desumanizadas, tendo como conseqüência
que aqueles responsáveis por graves violações de direitos
humanos continuam a cometer outras violações.
Quanto aos aparelhos policiais, em
quase todos os países da região os perigos da autonomia da polícia
em relação a qualquer controle civil fica patente quando se
examina casos recentes de abusos contra presos e uso de força em
excesso. No Chile entre 1993 e 1994 houve dezenove casos de ações
legais denunciando tortura e a polícia também foi alvo de críticas
por causa da política de "first shoot, ask questions later",
como mostrou em 1995 relatório do Relator Especial das Nações
Unidas sobre Tortura. Na Colombia a impunidade continua a ser a
regra para as forças de segurança implicadas nas violações de
direitos humanos. No Brasil, a tortura é ainda aplicada na
maioria das delegacias policiais, especialmente durante a
investigação de crimes contra o patrimônio. Embora as investigações
sobre essas violações sejam feitas em algumas instâncias,
levando a identificação dos culpados, muito excepcionalmente os
responsáveis são punidos.
A capacidade investigativa da polícia
na maior parte dos país da região é muito limitada e uma baixa
proporçãop dos casos investigados chega às cortes. A metade dos
assassinatos em S.Paulo fica sem solução: em 1995,foram
esclarecidos 2174 casos de homcídos, correspondendo a 45,2% dos
4802 homicídios registrados no ano passado na cidade de S.Paulo.
A enorme maioria dos brasileiros não
crê na imparcialidade da justica e do sistema policial cuja existência
é precebida como proteção dos poderosos. Em conseqüência,
muitos tendem a fazer justiça por si mesmos, na forma da ação
de grupos vigilantes ou de linchamentos,através do qual se
consolida o ciclo de ilegalidade e de violência.É comum nas
grandes capitais brasileiras o recurso aos justiceiros, gunmen,
encarregados de manter a ordem nos bairros populares, a soldo de
pequenos comerciantes e as vezes da próprias associações de
bairro. No Brasil os linchamentos são prática corrente havendo o
sociólogo José de Souza Martins inventariado num estudo recente
515 linchamentos no período de 1970 a 1994, envolvendo um total
de 366 mortes. O paradoxal é que nos últimos dez anos quase a
metade desses linchamentos ocorreram na região Sudeste, o que
pode indicar a precariedade do funcionamento das instituições
encarregadas do controle da violência ilegal. Diante do abandono
dessas populações pelo Estado, não surpreende que essas práticas
ilegais estejam tão difundida nas práticas das populações
urbanas.
Policiamento ineficiente e visão
militarizada
Esse fatos contribuem para que a
experiência dos cidadãos com a polícia, especialmente aqueles
das classes populares, menos protegidas e amparadas ( a presença
da polícia concentra-se nos bairros mais afluentes) seja de
insatisfação e de uma crença na falta de eficiência da polícia.
A polícia nas áreas urbanas atua como se fosse uma guarda-
fronteira para proteger as classes médias e afluentes da
criminalidade, deixando sem proteção a maioria da população
concentrada nos bairros populares. As forças policiais
concentram-se precisamente onde as taxas de criminalidade violenta
e de homicídios são mais baixas.
Muitas polícias apresentam altos níveis
de violência fatal. As polícias militares em cada estado da
federação no Brasil, em pleno período democrático, continuaram
a praticar execuções sumárias de suspeitos e de criminosos,
chegando ao número de 1470 mortos no ano de 1992, no estado de
S.Paulo. O maior número dessas mortes ocorrem nos bairros
populares e tem como alvo os grupos mais vulneráveis, pobres e
negros. A impunidade dessas práticas, ainda que os números
tenham dramaticamente diminuído nos ultimos dois anos, foi
consagrada até hoje por uma justiça militar estadual, composta
pelos próprios oficias militares. As polícias militares
consideram essas mortes como uma estratégia de enfrentamento da
criminalidade e contam com larga aquiescência por parte das próprias
classes populares.
Essa impunidade também consagra
uma série de massacres realizados pelas polícias militares em vários
estados na repressão a motins em prisões: em fevereiro de 1992,
111 detentos foram assassinados na Casa de Detenção em S. Paulo,
depois de debelado um motim no interior da prisão que abriga mais
de 7000 detentos. Nas áreas de conflito rural tendem a agir em
conluio com grandes proprietários de terra e os políticos locais
em Corumbiara, no estado de Rondônia, em 9 de agosto de 1995 10
posseiros foram mortos; em abril de 1996, numa operação contra
trabalhadores sem- terra que ocupavam uma estarda, a Polícia
Militar matou 19 deles.
Essa sucessão de mortes e de
massacres, no campo e na cidade, podem ser considerados como o
legado de uma visão militarizada da segurança pública que
motivou em dezembro de 1994 a ocupação pelo exercito dos morros
e bairros populares do Rio de Janeiro. Como essa visão
militarizada prevalece em muitas novas democracias, o exame dessa
intervenção serve para mostrar a fragilidade dessa repressão ao
crime.
A questão do crime organizado,
especialmente do narcotráfico, que controla largos espaços dos
bairros populares no Rio de Janeiro, entretanto, não é militar :
o alegado "Estado paralelo " nas favelas cariocas e em
outras porções do território brasileiro nada tem a ver com
"territórios ocupados" que necessitariam ser libertados
pelas forças armadas.A atual situação de desrespeito da
legalidade somente se consolidou e subsiste graças ao conluio
entre o crime organizado, funcionários públicos e comerciantes e
agente do Estado. O crime organizado, os narco-traficantes
continuam nos bairros populares, porque agentes do poder público
toleram ( ou empresariam) suas atividades ilícitas e consumidores
das elites asseguram um mercado regular, protegido por sua vez
pela polícia. As populações das favelas cariocas foram
abandonadas de tal forma pelo poder púbico e pelo Estado que dele
conhecem quase somente a face da extorsion pela policia e da
repressao ilegal. Quando os traficantes nos morros- na verdade
meros pequenos intermediarios dos verdadeiros traficantes que
moram na cidade - doam algumas migalhas dos enormes lucros de seus
patrões oferecendo empregos miseráveis e proteção, não admira
que sejam venerados como beneméritos.
Consciência da sociadade civil
e novos obstáculos
Em contraste com essas respostas
diretas a criminalidade nos bairros populares, a sociedade civil
em todos os píses tem-se mobilizado. Há hoje em todo o
continente uma rede importante de organizações de proteção de
direitos, profundamente desigual em termos de recursos e peso. Mas
chama atenção a larga diversidade dos grupos vuleneráveis cujos
direitos são defendidos por essas organizações. Apesar desse
sucesso deve ser registrado que ameaças e riscos de vida ainda
pairam sobre os militantes principalmente nas unidades da federação
menos desenvolvidas.E os ativistas se defrontam com a tarefa mais
difícil de defender os direitos dos pobres e dos grupos vulneráveis,
sendo bem mais dificil identificar as novas vítimas,
diferentemente dos reduzidos grupos de opositores políticos sob
as ditaduras, porque não constituem um grupo homogeneo e seu número
é infinitamente maior. Uma dificuldade adcional é a dificuldade
dos pobres de reconhecerem seus próprios direitos como direitos
humanos. Esta perepção combina-se com um alto nível de aceitação
de práticas de violência ilegal por parte de agentes do Estado
of the State agents, pela população em geral, mesmo entre os
pobres, que apesar de serem as vítimas preferenciais da violência,
assumem essa aquieescência como uma forma de se diferenciarem dos
criminosos.
De qualquer forma a luta contra os
regimes militares contribuiu para uma maior tomada de consciencia
dos direitos civis e políticos, mas também dos direitos econômicos
e sociais. A diferença da situação que imperava nos anos
setenta e oitenta, existe hoje uma rede generalizada em todo o
continente de organizações não governamentais de direitos
humanos, tanto urbanas quanto rurais, assim como associações
profissionais, grupos ecologistas e de defesa dos indígenas.
No estado do Rio de Janeiro,a
organização Viva Rio, criada em 1993 é um bom exemplo das novas
formas de articulação da sociedade civil, funcionando como uma
rede de redes, congregando o empresariado, movimentos populares,
fundações privadas, igrejas, mídia e publicidade. Em 1995 foi
capaz de mobilizar uma grande caminhada pela Paz nas avenidades
centrais do Rio de Janeiro, a primeira grande manifestação desde
a campanha pelas eleições diretas uma década antes.A organização
tem-se dedicado com sucesso a dois temas de trabalho : a violência
urbana e a integração das favelas na cidade, através de
parcerias entre entre entidades populares, empresas e governo.
Se a sociedade civil foi capaz de
assumir a questão da luta contra a violência e os direitos
humanos, apesar de todas as dificuldades das transições democráticas,
os governos tem em vários países assumido a gramática da proteção
e da promoção dos direitos humanos.Além do reconhecimento
formal pelo constitucionalismo democrático, os governos civis tem
promovido o ingresso dos países na legalidade plena do sistema
internacional de proteção de direitos humanos. Essa postura tem
determinado novas formas de controle da violência do Estado e na
definição de novas políticas de segurança pública. Um dos últimos
esforços nessa direçao foi o Programa Nacional de Direitos
Humanos, lançado pelo governo Fernando Henrique Cardoso, em maio
de 1996, incluindo 168 propostas, desde diretrizes para
treinamento da polício até a propostas de protecão às
testemunhas e às vítimas da criminalidade violenta. Algumas das
reformas propostas pelo governo brasileiro no quadro do programa -
como a criminalização da tortura, a transferência da competência
da justiça das polícias militares para a justiça civil para
julgar os crimes comuns de policiais militares ( já transformadas
em lei ) e a investigação federal de crimes de direitos humanos
- mudarão radicalmente as práticas de violência policial e de
impunidade.
Apesar de todos esses avanços, na
sociedade civil e no Estado, os pobres continuam a ser as vítimas
preferencias da violência, da criminalidade e das violações de
direitos humanos, tanto no Brasil como em muitas novas democracias
na América Latina que não tem sido capazes de assegurar a
liberdade e a justiças para todos. O fato de que muitos governos
não respeitem suas próprias leis ou as obrigações
internacionais assumidas para a proteção dos direitos humanos,
além de agravar o desrespeito aos direitos humanos, põe em
perigo sua própria legitimidade e torna mais difícil mobilizar
apoios para introduzir reformas estruturais com vistas a um
desenvolvimento mais equitativo, com um acesso mais democrático
aos recursos.
"Violência
estrutural" e globalização:perspectivas
A pobreza está espalhada por todas
as regiões e países, e entre os diversos membros e grupos em
cada comunidade. Muitos pobres vivem nas regiões ambientais mais
vulneráveis e estão particularmente ameaçados pelos desastres
ecológicos. O desrespeito aos direitos econômicos e sociais de
largos contigentes da humanidade é também causa de conflitos
sociais e violência.
As dimensões sempre crescentes da
pobreza em todo o mundo e as cada vez maiores disparidades entre o
Norte e o Sul põem em risco as fundações éticas da vida no
planeta e penalizam o futuro das gerações que virão. Uma pessoa
em cada quatro vive em situação de pobreza absoluta e quase a
metade da humanidade vive à margem da pobre. A polarização
entre os países ricos e pobres tem assumido dimensões dramáticas,
assim como a desigualdade mais que dobrou nos últimos trinta
anos. Essa situação está pondo em questão modelos de
desenvolvimento, o crescimento econômico e os processos de
consolidação democrática.
As vagas de refugiados tentando
fugir da "incivilidade" das guerras do Terceiro Mundo,
conflitos internos, fome e miséria, são hoje alguns dos maiores
desafios enfrentados pelos governos e pelos movimento da sociedade
civil dos países desenvolvidos. A grande maioria desses
refugiados, vindos da Europa Oriental, África, Ásia e América
Latina, vítimas do colapso das tiranias comunistas, de guerras étnicas
e religiosas, de desemprego, tentam entrar nos países
desenvolvidos.Muitos deles não refugiados políticos e
simplesmente querem escapar da fome e viver como seres humanos.
Durante o próximo milênio todos
os países vão precisar articular-se em programas conjuntos para
combater alguns dos mais sérios problemas da incivilidade -
pobreza, fome, analfabetismo, o esgotamento de recursos não renováveis.
Isto precisa ser a base do reconhecimento que o mundo não poderá
estar seguro no futuro próximo sem a total cooperação de todos,
do Norte e do Sul. Mais do que nunca uma aliança é necessário
entre Estado e sociade, ricos e pobres, grupos de direitos humanos
e empresários. Sem uma mobilização de governo e uma participação
efetiva e maciça da sociedade civil, uma sobrevivência decente
estará ameaçada.
Tantos as democracias desenvolvidas
como aquelas em desenvolvimento na América Latina devem enfrentar
o problema dos " novos pobres" gerado pela competição
tecnológica e pela crescente globalização. Tais desequilíbrios
econômicos e sociais - que estão na base da desigualdade e da
vitimização - não podem ser corrigidos apenas pelo livre
mercado. Essa conclusão agora é unânime- desde o Seminário de
Davos, na Suiça, este ano até o Banco Mundial e as vanguardas
dos centros de reflexão sobre o capitalismo mundial.
Devemos reconhecer, no entanto, que
a conjuntura internacional atual não é a mais proícia implantar
nas novas democracias políticas redistributivas com vistas a
reduzir a brecha social e instituir princios de justiça social em
seu processo de desenvolvimento. Os benefícios da integração na
economia mundial, prenunciados pela globalização,como alertou o
economista Deepak Nayar, somente se tornarão realidade naqueles
países que lançaram as fundações da industrialização e do
desenvolvimento: isto significa investir no desenvolvimento de
recursos humanos, a criação de infraestrutura física, o aumento
da produtividade no setor agrícola, a aquisição de capacitação
tecnológica e administrativa.Como os países latino-americanos
estão longe de terem construido esses pre-conditions, as consquências
podem vir a ser danosas : " Os países que não criarem essas
pré- condições terminarão por globalizar preços sem
globalizar a renda. Nesse processo, um segmento estreito de sua
população poderá integrar-se com a economia mundial, em termos
de padrões de consumo ou de condições de vida, mas uma larga
proporção dessas sociedades será ainda mais
marginalizada". As novas democracias padecem do desemprego
tradicional que geram os "oubliés de la croissance" e
compartilham com os países industrializados o problema dos
"novos pobres" gerados pela concorrência tecnológica.
O papel do Estado - como defensor e promotor dos direitos humanos
- é mais necessário do que nunca para definir mecanismos
compensatórios para os largos contingentes cujas condições
sociais tendem a ser agravadas pelos efeitos da globalização. Não
cabe esperar que as forças do mercado corrijam os desequilíbrios
econômicos e sociais que estão na raiz da desigualdade e da
vitimização : a educação e a saúde, prioridades sociais que são
condições para uma pacificação efetiva na sociedade somente
podem ser realizadas pela ação do Estado. E para implantar um
programa dessa índole, os governos necessitam mais do que nunca
mobilizar a participação dos pobres e contar com a cooperação
das elites.
Eis a principal contradição e o
desafio das novas democracias na próxima década. Sem estender e
assegurar os direitos - tantos os civis e políticos, como os econômicos
e sociais- para todos os cidadãos, mesmo nessa conjuntura
desfavorável, será extremamente difícil para os governos do
continente consolidar a democracia e controlar a violência endêmica.
As reformas políticas, as inovações nas políticas de segurança
pública, a reforma do judiciário, para serem bem sucedidas
requerem que a violência estrutural, a do desrespeito dos
direitos sociais e econômicos, seja debelada. A democracia para
ser plenamente legítima e poder assegurar a pacificação na
sociedade deve assegurar uma efetiva cidadania para todos os cidadãos.
O Estado - como defensor e promotor
de direitos humanos, o defensor da pacificação, defensor pacis -
tem um papel crucial a desempenhar em todas as sociedades
confrontando-se com o crescente problema da pobreza e os porblemas
associados da violência e do crime. Somente redefinindo as
instituições públicas, o Estado, em parceria com a sociedade
civil, poderá assegurar na América Latina programas nacionais
para promover a saúde e a educação - pré- condição para uma
ordem social, fundado não no silêncio do arbítrio e na
impunidade, mas na democracia, no desenvolvimento e na
solidariedade. E então, quem sabe, o terceiro milênio, já no
ano 2006, poderá significar efetivamente para os que sobreviverem
e para aqueles que chegarão a esse planeta, um novo começo.
Paulo Sérgio Pinheiro é professor
de ciência política e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência
da Universidade de Sao Paulo. Foi relator do Programa Nacional de
Direitos Humanos. Atualmente é Relator Especial das Nações
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