Oficinas Aprendendo e Ensinando
Direitos Humanos

O CURRÍCULO E AS MANIFESTAÇÕES
DA
VIOLÊNCIA URBANA NA ESCOLA
Lúcia Lemos Dias (1)
Maria de Nazaré Tavares Zenaide (2)
1.
Público Alvo
Professores/as e
dirigentes da Rede Municipal de Ensino da cidade de João Pessoa.
2.
Justificativa
As escolas têm sido um dos
espaços sociais em que o fenômeno da violência tem lugar. A
compreensão analítica das manifestações da violência na escola envolvendo
seus diferentes atores e formas, constitui um primeiro passo para o
entendimento do fenômeno e a busca de modos de trabalhá-lo no
cotidiano escolar.
Atualmente,
muito tem se falado, divulgado e denunciado sobre o assunto. A
intervenção sobre as manifestações da violência no espaço
pedagógico, não pode cair numa postura alarmante e denunciatória. A
escola como espaço de produção de conhecimento e de cultura precisa
construir uma postura
analítica e responsável com o amanhã. A cultura do pânico que tem se
produzido tpor diferentes meios na sociedade, apenas encobre a
compreensão do fenômeno, reproduz preconceitos e produz pânico e
impotência na sociedade.
3.
Objetivos
-
Caracterizar a violência numa perspectiva interdisciplinar;
-
Aprofundar a fundamentação teórica sobre o fenômeno da
violência;
-
Construir uma pauta de ação para o espaço escolar tomando como
eixo a violência e suas manifestações atuais.
4.
Duração – 12
horas
5.
Metodologia
5.1.
Dinâmica de Apresentação : cada participante se apresenta ao
grupo itdentificando-se pelo nome, a escola e a função que exerce.
5.2. Fase de Sensibilização:
5.2.1-
Dinâmica: Cartografia da violência
Cada
participante, com o auxílio de uma folha de papel ofício, tenta
rememorar fatos da vida social que lembram situações de violência
5.2.2
-Dinâmica da Árvore:
– Copa:
as formas de manifestações da violência na sociedade
- Raízes: As causas da violência
t
- Tronco: Os canais e as
intermediações
- Reflexões
-
Conceituação espontânea da violência
5.2.3
-Dinâmica da árvore
- Copa:
As formas de manifestações da
violência na escola
-
Raízes: As causas da violência na escola
-
Tronco: Os canais e as intermediações
t -
Reflexões a partir do material apresentado pelo grupo
5.3.
Fase da Fundamentação
Teórica
“somos todos
agentes modificadores e
receptores das ações e das conseqüências construtivas e
violentas reinantes na sociedade contemporânea”
&tnbsp;
( Levisky, 1977)
5.3.1.O
fenômeno social da violência:
Segundo
os autores, a violência é
um fenômeno antigo, não é um fenômeno homogêneo (violências),
assume muitas formas e práticas sociais: física, moral, ideológica,
sexual, econômica, ecológica etc.
Explicações históricas
sobre o fenômeno da violência(Andrade):
-
Modernidade ( séc. XVI
– XX): visão negativa, explicada pelas idéias de desvio,
doença, destruição, maldade, crime, etc. A sociedade é boa o
indivíduo é mau ( ou o contrário);
-
Contemporaneidade ( séc. XX): vista como forma de expressão da
insatisfação e da resistência às diferentes formas de opressão.
Relacionada ao poder e suas
implicações, em todos os níveis das relações humanas: autoridade,
limites, disciplina, direitos e deveres.
5.3.2. A compreensão
interdisciplinar sobre o fenômeno
O exercício da interlocução de diferentes áreas de
conhecimento (político, econômico, cultural, sociológico,
psicológico) para explicar as diferentes formas da violência e ampliar
sua interpretação.
5.3.3
- Contribuições multidisciplinares sobre a violência
a) Contribuição de uma das abordagens da
psicologia para o entendimento da violência na adolescência:
“A contradição de uma sociedade
desigual gera tensão, desorganização, desrespeito , ingredientes para
as manifestações da violência física
e moral.” (Levisky,
1997)
Características
da adolescência:
·
Surgimento da capacidade reprodutora
·
Perdas, desinvestimentos e reinvestimentos afetivos
·
Novos valores éticos e morais
·
Delineamento da identidade
·
Fase de transição
·
O aparelho psíquico vulnerável a pressões internas e externas
(biológicas, psicológicas, sociais, éticas, morais, políticas,
econômicas).
Os impulsos se
expressam através de: hábitos, costumes, tradições. O adolescente
tende a descarregar seus impulsos agressivos e sexuais através do processo primário
(imediata satisfação dos desejos). Prescinde do processo secundário
(avaliação das consequências, simbolização e linguagem, possibilidade de
postergação de desejos).
“A
cultura é a expressão de uma violência, se entendermos que os
impulsos agressivos e libidinosos precisam encontrar descargas
sublimadas, suficientemente reprimidas ou deluídas, para que a vida
social se torne viável”( Freud in Levisky)
O papel
da mídia na construção da cultura da violência. A banalização da violência
legitima a violência física como forma de solução de conflitos, como
um valor, um patdrão de comportamento a ser incorporado – valor de
afirmação . ( Levisky, 1997)
b) Contribuição da Sociologia, da Ciência Política e dos Direitos Humanos para a
compreensão do fenômeno da violência na sociedade brasileira
-
Violência Estrutural
t“o
caráter autoritário da formação brasileira gerou uma violência
estrutural, basicamente expressa nas desigualdades dos níveis de vida:
na violência da fome, da miséria, da necessidade. Isto podemos imputar
ao autoritarismo ou a ausência de uma proposta igualitária e de
justiça nesta sociedade hirarquizada que gira em torno da manutenção
de privilégios de uma pequena classe
que sempre caracterizou o Brasil” (Costa, Jurandir Freire. 1986)
-
As mudanças no mundo do trabalho e sua interface com a violência
social
“valores e identidades
vinculados ao trabalho que serviam de diferenciação da população
pobre em relação aos “bandidos” vem sendo rompidos, principalmente
pelas reformulações presentes no mundo do trabalho. Tal questão vem
propiciando que grandes contingentes dos jovens pobres se tornem cada
vez mais seduzidos pela oferta do tráfico e, por conseqüência, sejam
também suas vítimas principais” ( Tavares. Maria Helena. 1998)
-
Desigualdade Social
“ refere-se à distribuição
diferenciada, numa escala de mais a menos, das riquezas produzidas ou
apropriadas por uma determinada sociedade, entre os seus participantes.”
( Nascimento, Elimar Pinheiro. 1995)
-
Constituição Cultural da Desigualdade Social no Brasil
“o
principal vício de constituição da sociedade brasileira, desde o seu
nascimento, é a desigualdade, é algo que se incorporou aos nossos
costumes, que está de certa forma incrustado na nossa alma .”
( Comparato, Fábio. 1997)
- Racismo
“é uma ideologia que postula
a existência de hierarquia entre grupos humanos” ( Brasil, Gênero e
Raça, 1998)
-
As Diferenças e as
Desigualdades Sociais
“As
diferenças que tem origem natural ou cultural não induzem a um
tratamento de superioridade ou inferioridade, mais – ao contrário –
elas exigem até mesmo um tratamento diferenciado. As desigualdades são
sempre a manifestação de um corte horizontal na sociedade,
estabelecendo-se camadas superiores, camadas inferiores e, entre elas
perpassa sempre uma manifestação de desprezo, de hostilidade ou de
exploração.”
-
Tolerância
“A desigualdade é
perversamente construída. A diferença é construtiva e enriquecedora,
garante a autenticidade, o direito à identidade, à diferença
cultural, à diferença de nossas raízes. A desiguladade traz a semente
da hierarquia , do superior e do inferior. Ela traz a semente da
discriminação, que muitas vezes gera o ódio. A tolerância, portanto,
representa igualmente o reconhecimento da diferença, nunca da
desigualdade. É o reconhecimento de que – apesar das diferenças –
todos tem direitos iguais e
individuais” (Soares,
Maria Victória Benevides. 1997)
-
Exclusão Social
“
é um processo de estigmatização crescente e perigoso, de um
contigente social que perde, gradativamente, qualquer importância
econômica(...) dentro de um determinado paradígma de desenvolvimento
t que parece presidir as transformações tecnológicas (...) um processo
que está ocorrendo nas representações que o imaginário brasileiro
tem do pobre ( anos 30 -
coitado, anos 60/70 - malandro
e anos 90 - perigoso) (...)
o processo de não reconhecimento do outro como sujeito de direito ”
( Nascimento, Elimar Pinheiro.
1995)
-
Exclusão Moral
“ Reação de não
indignação e de aparente aceitação de violações de direitos do
outro”. Acontece quando pessoas que normalmente obedecem às leis
aceitam ações bárbaras contra indivíduos e grupos, sem a aceitação
de que isto viola regras consensuais de justiça (Cardia, Nancy. 1994)
t
-
Preconceito Social
“é
uma indisposição, um julgamento prévio, negativo, que se faz de
pessoas estigmatizadas por esteriótipos” ( Brasil, Gênero e Raça.
1998)
-
Estereótipos
“as
pessoas deixam de avaliar os membros de um grupo pelas suas reais qualidades e passam a julgá-las
por um atributo um carimbo.” ( Brasil, Gênero e Raça. 1998)
-
Discriminação Social
“ uma conduta ou omissão que
viola direitos, das pesstoas com base em critérios injustificados e
injustos tais com a raça, o sexo, a idade, a opção religiosa etc.”
( Brasil, Gênero e Raça. 1998)
-
Valores Republicanos
“o respeito às leis acima das vontades particulares ... o
respeito ao bem público acima do interesse privado ...e o sentido de
responsabilidade no exercício do poder “ ( Soares,Maria Victoria
Benevides. 1995)
-
Valores Democráticos
“o amor à igualdade e o
conseqüente horror aos privilégios... a aceitação da vontade da
maioria e o respeito
integral aos direitos humanos” (Soares, 1995)
t
-
Educação para os Direitos Humanos
“pretende a formação de uma
escolaridade autônoma, preparada para a solidariedade e a tolerância.
E é também a formação de pessoas dispostas e capazes para a
mudança, para a transformação, muitas vezes a transformação radical
no sentido de ir às raízes das condições sócio-econômicas, das
condições culturais e políticas da sociedade em que vivem e que
muitas vezes negam e negligenciam os Direitos Humanos, a democracia e o
compromisso com a Paz” ( SOARES, Maria Victória Benevides , 1995)
-
Direitos Humanos
“os direitos humanos são
naturais ... pois se referem à pessoa humana em qualquer país do
mundo, antes de qualquer lei, e não precisam estar nela especificados, para
serem exigidos, reconhecidos, protegidos e promovidos (...) são
histórticos, construídos nas lutas sociais (...) são universais, pois são
comuns a todos os seres humanos sem distinção alguma de etnia,
nacionalidade, cidadania política, sexo, classe social, nível de
instrução, cor, religião, opção sexual ou julgamento moral”
(Soares,Maria Victoria Benevides. 1998)
-
Cidadania
“a idéia de cidadania é
eminentemente política e não está necessariamente ligada a valores
universais, mas a decisões políticas (...) os direitos de cidadania
dizem respeito a uma determinada ordem jurídico-política de um país,
de um Estado.” ( Soares, Maria Victoria Benevides. 1998)
c) Contribuições da Antropologia
para a compreensão da Violência:
- A violência é um fenômeno em
permanente tconstrução, que apresenta múltiplas faces.
“A
violência é um objeto do qual procuramos sempre nos afastar e que
apresenta uma força apontada para o exterior”
(Rifiótis,Theóphilos.1995 )
Imagens,
Prática e discursos da Violência
“O
discurso sobre a violência não compreende apenas a fala, nem é
consciente para quem o enuncia; ele também é o não dito ou
silenciado... é um conjunto de enunciados, práticas e falas, que
garantem a circulação das imagens sobre a própria violência” (
Rifiótis, Theóphilos)
Imagem,
Medo e Vtiolência
O
fantasma da violência – cultura do medo – uma tendência a
homogeneizar as observações relativas aos fenômenos associados a
violência. “A memória alimenta o medo, que se nutre da força do
fantasma” ( Rifiótis, Theóphilos)
O medo provoca a inibição da
irrigação orgânica... torna lentas as funções vitais... produz
regressão, impotência, náusea, dor de cabeça, frio nas extremidades,
problemas digestivos... dissolve imagens como defesas (camaleão). No
contexto urbano a violência em forma de crime não é a única razão
do medo.( ser desconhecido, ser confundido, ficar desamparado na rua, do
outro, do diferente, de ficar sozinho e outros) (Regis
Moraes, 1990)
Mídia
e Violência
Os meios de
comunicação, quando introduzem o tema da violência em suas pautas,
colocam a discussão da violência como tema imediato, construíndo mediante uma recepção
ritualizada um universo simbólico que a longo prazo condiciona a
percepção que o o receptor terá da realidade. ( Barros, 1987)
Os meios de
comunicação ao veicular notícias sobre crimes com pessoas comuns,
produzem uma compreensão
específica sobre o fenômeno da violência, realimentando o temor das
classes tidas como “perigosas”, reforçando e atualizando os
preconceitos em relação à população pobre e seus espaços de
moradia.
c) Tendências atuais no estudo
da violência (Rifiótis):
O debate na
Associação Brasileira de Antropologia – ABA, constata como
dificuldade no estudo da violência a falta de referencial teórico – um objeto ainda em construção, que
demanda ainda muita observação sistemática, descrição positiva et uma
postura analítica.
Questões postas no debate entre
pesquisadores da área:
-
Os recortes atuais no estudo da violência são: criminalidade,
gênero, minorias étnicas, meninos de rua, mídia, violência
institucional, conflitos de gerações etc.;
-
Existe uma produção esquemática nos estudos da violência no Brasil (
concentração nos anos 80 – cidadania e limites da ação do Estado);
-
A partir de Foucault é possível construir um novo domínio
teórico - abordagem da
violência nas micro relações da sociedade e
nas relações de poder nas diferentes redes e lugares ( relação pais e filhos –
escola – trabalho);
-
O estudo da violência se coloca num território ( um espaço vivido
e um sistema perceptível
em constante alteração) em constante disputa e não pertence a uma
ciência em particular;
-
A construção do conceito deverá partir o mais próximo
possível da experiência concreta;
-
A violência é um objeto em constante construção;
-
A primazia dos discursos sobre a violência:
·
discurso denunciatório
-
o discurso em defesa dos que sofrem a violência
-
valorização negativa implícita no discurso
-
reclama o fim da violência
·
discurso analítico
-
abordagem mais próxima da experiência concreta
-
pluralidade de manifestações da
violência
-
significação da violência( construção das subjetividades daqueles que vivenciam a
experiência da violência)
-
Pluralidade do fenômeno
dos locais ( esporte, trânsito, ruas, prisões)
das formas (fome, criminalidade),
t
dos atores sociais ( mulheres, crianças, idosos)
dos tipos ( física, psicológica, simbólica)
-
Amplitude do campo semântico leva a uma leitura subjetiva de aumento da
violência (a força da fantasia – como construções defensivas,
sublimações e ornamentações dos fatos)
-
O discurso da violência não
compreende apenas o que se fala, netm é consciente para quem o enuncia,
ele é também o não dito, o silenciado
-
O discurso catastrófico domina
todo o cotidiano e coloca o
fenômeno para o externo (
para o outro) (uma força para o exterior)
-
O discurso alarmista alimenta os medos face as incertezas sociais
-
A Positividade da Violência: a colocação do
problema para além do círculo da criminalidade e da fantasmagoria a
ela associada:
a)como
elemento instaurador de identidades sociais
t
b)uma
força dispersiva em contraposição
aos processos de controle e
homogeneização
c)um
instrumento para a construção ou garantia de manutenção de
subjetividades
- O momento atual demanda para o estudo analítico
do fenômeno: descrever positivamente as situações de violência –
identificar como elas são vivenciadas
e percebidas segundo
os diferentes agentes envolvidos
5.3.4.
Aproximações Conceituações sobre a Violência
Vocabulário – latim = ato de
violentar – constrangimento
físico ou moral, ao que pode ser acrtescentada a coação ou coerção
psicológica
“uma reação conseqüente a um
sentimento de ameaça ou de falência da capacidade psíquica em
suportar o conjunto de pressões internas e externas a que está
submetida” ( Levisky, 1995)
“é um artefato da cultura e
não o seu artífice... ela é uma particularidade do viver social, um
tipo de negociação, que pelo emprego da força ou da agressividade
visa encontrar soluções
para conflitos que não se deixam resolver pelo diálogo e pela
cooperação”(Costa, 1986)
“a
violência nas suas múltiplas formas, é representada como um domínio
da experiência social que permeia as brechas da crise da modernidade e
a busca de alternativas interpretativas para a sociedade contemporânea”
(Rifiótis)
5.3.5 Escola, Violência e
Práticas Institucionais
a)
A Escola como espaço público de:
-
construção da igualdade
-
gestão de interesses, direitos e deveres
-
processos de decisão
-
gestão de funcionários e alunos
-
compromisso com o que é público
-
construção de um projeto coletivo democrático
-
construção de cidadãos e pessoas humanas
-
formação de profissionais para a sociedade
b)
A Escola como espaço de construção de cultura e de relações humanas
-
respeito
-
justiça
t
-
solidariedade
-
compromisso
-
igualdade
-
democracia
-
gestão de conflitos
c)
O educador em direitos humanos é:
“um
agente social que intencionalmente cria condições para a produção de
conhecimentos que induzem tanto a tomada de consciência, como ao desenvolvimento de um
comportamento conseqüente com a vigência, defesa e promoção dos
direitos humanos” (Bovi)
d) A Violência e suas formas de
manifestações na Escola
– Cosntruíndo a leitura da violência no espaço escolar
-
Pluralidade dos locais
na sala
de aula
no
recreio
na
família
na
administração
-
Pluralidade das formas
·
Materiais:
falta de
material didático
falta de
condições básicas de trabalho
baixo
salários
·
Ético-políticas:
manifestações
de desigualdades
falta de
compromisso com o que é público
negação
dos direitos do outro
expulsão
reprovação
evasão
desmotivação
falta de
diálogo e cooperação
injustiças
depredação
do patrimônio
transferência
de responsabilidades
ausência
de uma política de capacitação
ausência
de negociação dos conflitos
·
Culturais:
preconceitos
e discriminação
autoritarismo
clientelismo
·
Físicas:
maus
tratos
castigos corporais
-
Pluralidade de atores
professores
pessoal
de apoio
alunos
direção
-
Pluralidade dos tipos
física
psicológica
simbólica
cognitiva
5.3.6. Construíndo Mecanismos
de Monitoramento da
Violência no Espaço Escolar:
-
Conhecer a realidade da escola, deficiências, características e recursos
-
Informar e capacitar os atores da escola
-
Conhecer as diferentes formas
de manifestação e atendimento sobre o fenômeno
-
Melhorar a qualidade das relações e atendimento
-
Estabelecer providências a serem efetuadas internamente e com
atores externos
5.4. Fechamento da Oficina: Construindo Pautas de Ação com
a Escola
“somos todos agentes
modificadores e receptores
das ações e das conseqüências construtivas
e violentas reinantes na sociedade contemporânea”
·
O que podemos
propor como meio para atenuar as manisfestações da violência na
Escola?
a)
Informação, acompanhamento, assistência e avaliação da
violência
b)
Gestão escolar
c)
Capacitação
d)
Ações Educativas
e)
Relações Interpessoais:
Relação professor aluno
Relação
administração e corpo técnico
Relação
escola e família
Relação
escola e Estado
f)
Articulação com atores externos
-
Conselhos de Direitos
t
-
Poder executivo e
judiciário
-
Órgãos da sociedade civil
pauta de ações para enfrentar as manifestações da violência na escola:
1. Criar canais de liberação das
energias vitais e da agressividade
-
Esporte (campeonatos, atividades recreativas);
-
Cultura (Mostra de filmes, teatro popular ,biblioteca, oficina de
literatura);
-
Oficinas de Artes;
-
Educação Ambiental (vídeos, distribuição de folhetos,
mutirão ou oficina de limpeza, arborização, horta comunitária).
t
-
Desarmar ânimos;
-
Fortalecer a vigilância;
-
Criar formas de desarmamento.
3.
Educar para a Cidadania
-
Campanhas Educativas construídas com a participação de todos
os atores da escola (mostra de fotografias, filmes, vídeos, gincanas,
concursos, em favor da paz e da vida na escola, em favor da dignidade na
escola pública e outras);
-
Semana de Prevenção e combate à violência (concurso, jornais,
teatro, palestras, gincanas);
-
Palestras com temas atuais:
Drogas,
mídia e violência
Prostituição
Infantil
Democracia
participativa
Sexualidade
Mudanças
no mundo do trabalho
Desemprego
Orientação
para a escolha profissional;
-
Debates sobre direitos e deveres;
-
Planejar com professores como resgatar o respeito nas relações
no interior da escola;
-
Criar atividades artísticas (teatro de fantoche e
dramatização) de modo a apresentar e dialogar com os alunos os problemas da escola;
-
Passeios educativos e culturais;
-
Incentivar grupos culturais, festivais de poesia, dança, etc.
4.
Conhecer e monitorar as formas de violência
existentes
-
levantar e registrar dados sobre as diferentes formas de
manifestação da violência na escola;
-
dialogar com agressores e vítimas;
-
assistir as vítimas;
-
orientar através de folhetos preventivos;
-
dialogar com os diversos setores da escola - alunos, pais e
equipe técnica e administrativa;
-
solicitar orientação de órgãos externos que atuam com o tema
e a proteção dos direitos.
6.
Capacitar os diferentes
segmentos (funcionários e familiares) nos temas:
Relações Humanas
Drogas
Violência
Social
Gestão
democrática
Gestão
de conflitos
Ética e
Cidadania
Atualização
jurídica (racismo, ECA, etc.)
Preconceitos
Sociais
Desigualdades
Sociais, Diversidade Cultural e Tolerância
Oficinas
de Relações Humanas
Identidades
Étnicas e Culturais
Outros,
levantados a partir das necessidades concretas
6. Apoiar e assistir os
recursos humanos
-
grupos de apoio;
t
-
cursos;
-
oficinas de relações humanas;
-
qualificar do ponto de vista metodológico e temático (gestão
democrática, gestão de conflitos, psicodrama, participação social e
escolar);
-
discutir as especificidades e contribuições das diversas áreas
de conhecimento e profissionais envolvidos;
-
promover intercâmbio entre as escolas para monitorar e
assessorar as ações para enfrentar a violência.
7. Incentivar e implementar
canais de participação:
-
Representantes de turma
-
Conselhos
-
Comissão de cidadania
7.
Gerir as relações sociais:
-
Ouvir queixas;
-
Promover diálogo;
-
Monitorar e fiscalizar a administração na gestão dos
conflitos;
-
Promover ações para divulgar os direitos e deveres do cidadão;
-
levantar e encaminhar as violações de direitos humanos;
-
Promover semanas, campanhas e eventos sobre a cidadania e
os
direitos humanos.
8.
Humanizar as condições de trabalho
-
Garantir a vigilância, a limpeza;
-
Arborizar e preservar to ambiente;
-
Plano de cargos e salários(inclusão da equipe técnica no plano
de cargos e salários).
9.
Articular, solicitar, reivindicar, pressionar, cobrar o apoio de
órgãos públicos e da sociedade civil
Curadorias (Meio
ambiente, Criança e do Adolescente, do cidadão)
Vara da Infância e da
Juventude
Conselhos de Direitos e
Tutelares
Entidades
não-governamentais
10. Promover a participação e
a integração da família e a escola
-
Promover assembléias com pais para escutar suas críticas, sugestões e formas de
cooperação;
-
Envolver os pais na formulação do regimento da escola;
-
Qualificar a metodologia das reuniões com a família;
-
Promover eventos educativos e culturais com as famílias (bazar, festas,
mutirão de limpeza e serviços de conserto, atividades culturais);
-
Discutir e encontrar alternativas para os problemas da escola;
-
Envolver os familiares nas ações de interesse coletivo;
-
Orientar e encaminhar a família para serviços externos e órgãos de
proteção;
-
Promover redes de
solidariedade;
- Promover a
associação de pais e mestres.
11. Incentivar a construção
de imagens em favor da
vida, da paz, da solidariedade, da qualidade e da dignidade dos
serviços públicos, da democracia, etc.
-
divulgar junto a mídia as alternativas criadas pelas escolas;
- criar
jornais na escola;
- montar
painéis e murais;
- reunir
as escolas num seminários sobre cidadania para que se possa socializar as
experiências e debater os diferentes temas atuais.
12. Gestão Escolar
-
conhecer as atribuições dos diferentes profissionais e dirigentes de modo a articular a
divisão de trabalho e as ações interdisciplinares a serem
implementadas;
- exercer
a autonomia no processo de matrícula, aprovação e documentação;
-
convocar o programa cidadania para a escola, assim como outros programas
que podem contribuir com a cidadania dos alunos e servidores;
-
construir de modo participativo o regimento da escola;
-
planejamento participativo;
-
controle social dos alunos e pais em relação aos serviços prestados .
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Entre dois amores...Apontamentos sobre um dilema ético no estudo da
violência: cidadania, democracia e diferença. Florianópolis. UFSC
(mimeo
____.
O Fantasma da Violência. Reflexõets sobre “forças centrífugas”e
um objeto em revolução. V Reunião da ABA . Tramandaí. 1995 (mimeo)
SOARES,
Maria Victoria de Mesquita Benevides. Cidadania e Direitos Humanos in:
Cadernos de Pesquisa, Fundação
Carlos Chagas, julho 1998, n.
104
TAVARES,
Maria Helena. A Violência e suas Representações. Rio de Ja-neiro.
1998 (mimeo)
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