Direitos
Humanos e Cidadania
Sociedade
Catarinense de Direitos Humanos

Apresentação
“De
todos os direitos humanos creio que o direito ao sonho, o direito a
sonhar, é o direito fundamental, a possibilidade de fixar os olhos para
lá da infâmia e advinhar outro mundo possível.
Penso
que é um ato de suprema liberdade e que a condição nasce para ser
livre.
Ainda
que necessite de estruturas de poder, a vocação última do ser humano
é a liberdade.”
(Eduardo
Galeano)
Estudar Direitos
Humanos pode parecer à primeira vista um complicado envolvimento com
leis, artigos, incisos, parágrafos, doutrina, jurisprudência etc. é
forçoso reconhecer, que o estudo do Direito parece extremamente árido
para todos quantos não o elegeram como profissão. Entretanto, a dimensão
jurídica dos Direitos Humanos é extremamente relativa, existindo na
medida em que positiva, ou seja, transforma em normas, os direitos alcançados
pela humanidade no curso de sua existência.
Portanto,
durante nossa incursão pelos dois fascículos dessa disciplina, vamos
estudar os Direitos Humanos principalmente a partir da dimensão humanística
e social, com amparo na dimensão jurídica que lhe confere sustentação
normativa.
Não
se assuste com o tamanho dos textos, pois não pretendemos que você
grave nomes, números, datas, dispositivos ou textos legais. O que
efetivamente importa e se pretende é a conscientização para as questões
relacionadas com os Direitos Humanos e a afirmação da Cidadania.
Afinal,
o que são Direitos Humanos? Vamos ver que esses direitos se encontram tão
envolvidos com os assuntos mais cotidianos e, ao mesmo tempo, com as
preocupações mais profundas e essenciais do ser humano, que mais
apropriado seria indagar o que não são direitos humanos, ou o que não
se relaciona com eles durante a existência humana da sociedade e de
cada um de nós.
“Direito
não é mais nem menos, do que a expressão daqueles princípios
supremos, enquanto modelo avançado de legítima organização social da
liberdade. Direito é processo, dentro do processo histórico: não é
uma coisa feita, perfeita e acabada: é aquele vira-ser que se enriquece
nos movimentos de libertação das classes e grupos ascendentes e que
definha nas explorações e opressões que o centralizem, mas de cujas
próprias contradições brotarão as novas conquistas. À injustiça,
que um sistema institua e procure garantir, opõem-se o desmentido da
Justiça Social conscientizada; às normas e instituições jurídicas,
oriundas de classes e grupos dominados, e dominantes de convivência,
impostos pelo controle social ilegítimo, isto é, tentam
generalizar-se, rompendo os diques da opressão estrutural. As duas
elaborações entrecruzam-se, atritam-se, acomodam-se momentaneamente e
afinal chegam a novos momentos de ruptura, integrando e movimentando a
dialética do Direito. Uma ordenação se nega para que outra a
substitua no itinerário libertador. O Direito, em resumo, se apresenta
como positivação da liberdade conscientizadora e conquistada nas lutas
sociais e formula os princípios supremos da Justiça Social que nelas
se desvendam”.
(Roberto
Lyra Filho – O que é Direito)
Iniciaremos
com um breve relato em torno das concepções que envolvem as questões
de Direitos Humanos, passando por uma pequena introdução histórica
acerca das conquistas da humanidade em prol de um ordenamento jurídico
direcionado à civilização, em repúdio à selvageria característica
dos primórdios da humanidade. Dando prosseguimento, elencaremos os
diplomas jurídicos que se sucederam em benefício da evolução social
da raça humana, concentrando-se na questão evolutiva dos Direitos
Humanos.
A
partir daí, é conferida especial ênfase à “Declaração Universal
dos Direitos Humanos”, promulgada pela “ Organização das Nações
Unidas-ONU”, em 1948, suas sucessivas conquistas, bem como à
“Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, consignada
durante a Revolução Francesa, diplomas que influenciaram todo o
pensamento e a legislação do mundo contemporâneo, assim também as
suas respectivas repercussões.
Mais
adiante, concentraremos o
foco do nosso estudo sobre as questões da Educação para os Direitos
Humanos e a Cidadania.
Abordaremos
ainda os Direitos da Criança e do Adolescente na perspectiva da relação
professor/aluno, assim como os Direitos do Consumidor como afirmação
da cidadania nas relações de consumo.
Ao
final se encontra incluído o rol da bibliografia utilizada na elaboração
do texto e, no encerramento do primeiro fascículo, os anexos com alguns
textos legais para consulta.
Não
se trata, portanto, de um trabalho jurídico na acepção da palavra,
mas se apropria de um tema jurídico para procurar ofertar uma análise
acessível a qualquer leitor, mesmo não familiarizado com a
terminologia jurídica, o jargão ou as técnicas dos operadores do
Direito, até porque, como já foi dito, a dimensão exclusivamente jurídica
dos Direitos Humanos é extremamente relativa.
O
objetivo desse fascículo é proporcionar a você, professor, uma
introdução ao universo dos Direitos Humanos. Você terá a
oportunidade de rever os seus conceitos,comparando-os com os componentes
sociais da realidade atual, e estudando a sua evolução histórica, na
busca de uma visão de mundo com foco na situação brasileira. A ênfase
do seu estudo recairá sobre a educação para os Direitos Humanos e a
Cidadania, os Direitos da Criança e do Consumidor, visando o seu
engajamento nesse processo de permanente construção.
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