
Miséria
e Fome
Grande
parte da população brasileira vive (ou sobrevive) em estado de
miserabilidade absoluta, Muitos mal se alimentam num dia e passam
alguns outros sem comer, Milhares de crianças freqüentam a escola
exclusivamente com a finalidade de usufruir da merenda distribuída
pelo Estado assistencialista. Esta é a realidade diária de alguns
milhões de pessoas.
“O
Brasil oferece o paradoxo de estar hoje ao mesmo tempo no que poderia
ser o melhor dos mundos e também no pior: o pais é hoje a décima
maior economia mundial com um Produto Interno Bruto (PIB) de 414, 1
bilhões de dólares em 1991 — estando portanto no conjunto composto
por E.U.A., Japão, Alemanha, França, Itália. Grã-Bretanha, Canadá,
Espanha, Rússia (com os quais nosso padrão de graves violações de
direitos humanos deve ser cotejado) e logo seguido pela China, Austrália,
Índia, Holanda, Coréia do Sul, Suécia e México.”
(Paulo
Sérgio Pinheiro — O Passado não está morto: nem passado é ainda)
As
perspectivas são de continuo empobrecimento com o crescente aumento
do desemprego em todas as regiões, circunstância que nem os políticos
- mesmo em época de eleições - ousam negar.
O
Welfare State (Estado de Bem Estar Social) que implementou políticas
públicas voltadas para o atendimento aos mais necessitados e que
contemplou a Europa e os Estados Unidos após a Segunda Grande Guerra,
sequer chegou até a América do Sul, mesmo no auge da “Guerra
Fria”. Com a queda do “Muro de Berlim”, as grandes potências já
não se interessam por acenar com doces promessas. Daqui para a
frente, a realidade do poder aquisitivo (ou a ausência dele) do povo
de cada país, no contexto da doutrina neoliberal, é que determinará
seus índices sociais e de sobrevivência, constituindo-se em evidente
e significativo retrocesso nas conquistas sociais.
“A
desigualdade passa a ser um valor positivo, pois ampara-se no
neodarwinismo social, de forma a adotar a teoria darwiniana de seleção
natural no âmbito socio-econômico, pela qual os mais fracos (menos
produtivos e menos aptos segundo as exigências da produção)
tenderiam a desaparecer. Assim, condena a intervenção Estatal no
atendimento das exigências sociais, pois estaria, assim, violando
essa lei de seleção natural.”
(Alexandre
Luiz Ramos — Direitos Humanos, Neoliberalismo e Globalização in
Direitos Humanos como Educação para a Justiça)
Nesse
contexto, o papel dos agentes do Estado se amplia e se investe de
outros contornos até então inusitados, impondo uma atuação voltada
para um atendimento em prol da efetiva redução das desigualdades
sociais, exigindo um modelo de sociedade dotada de políticas públicas
de transferência de renda eficazes.
É
preciso ver o cidadão faminto e maltrapilho não como um desocupado,
mas como ente social incapaz de ingressar num mercado de trabalho
cujos mecanismos são extremamente perversos com os mais fracos, e
paradoxalmente tolerantes e condescendentes com os poderosos.
0
sistema capitalista tem contradições internas insuperáveis, sendo
uma delas que a taxa de lucro depende diretamente da taxa de exploração
da força de trabalho. Assim, se o capitalista visa sempre o aumento
do lucro, a exploração do trabalho é igualmente intensificada. O
economista e reformador social inglês John Hobson, precursor de John
Keynes, sustentou que a má distribuição de renda entre os
integrantes da sociedade gera uma poupança por parte da elite que
prejudica o consumo e, consequentemente, a produção.”
(Alexandre
Luiz Ramos - Direitos Humanos, Neoliberalismo e Globalização in
Direitos Humanos como Educação para a Justiça)