Comitê
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Raimundo Ubirajara de Macedo
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e lá fora se falava em liberdade
Ubirajara Macedo, Sebo Vermelho
2001
Finalmente,
Natal
Dia
07 de abril de 1972, estava chegando a Natal
depois de cinco anos e meio fora da terrinha.
Confesso que cheguei chorando. A emoção
foi muito forte para este macaibense que
adora Natal e que não esperava voltar
jamais. Confesso que sofri muito em São
Paulo, com imensa saudade, não só
dos meus pais, velhinhos e também
sofrendo com minha ausência prolongada,
mas também das muitas amizades aqui
deixadas, quando fui obrigado a deixar a
terra onde vivi tanto tempo. Mas Deus de
ajudou e continua ajudando. A prova maior
é esta história que conto
para os leitores, meus amigos, que por pouco
nunca teriam esta oportunidade se não
fosse a minha esperteza de cair fora das
margens do rio Paraguai antes que acontecesse
o pior em Cáceres.
E me dei bem na volta. O meu amigo Carlos
Lima já tinha em mãos o projeto
de uma revista que se denominaria “Cadernos
do Rio Grande do Norte”. Como Carlos
era proprietário de uma gráfica
no bairro de Ribeira, o empreendimento deu
certo e por quase dois anos editamos os
Cadernos, com boas reportagens dos municípios
de todo o Estado. Depois de dois anos, transformamos
a revista em jornal, quer passou a ser a
Folha dos Municípios, relembrando
o velho jornal de Djalma Maranhão
chamado Folha da Tarde, onde outrora trabalhamos
juntos até a “gloriosa”
tomar conta do país e nos mandar
para a cadeia. Mas, a situação
econômica do Estado e das prefeituras,
que davam cobertura jornalística
à nossa publicação
estava se deteriorando, apesar dos corifeus
da ditadura dizerem (mentindo) que a nossa
economia era a oitava do mundo. Já
viram? Encerramos as atividades e logo depois
Fui chamado para trabalhar no Diário
de Natal, monde me aposentei do jornalismo
após dezessete anos no veículo
dos Diários Associados. Já
contei a história estou repetindo
demais. Desculpem... Fui vice-presidente
do Sindicato dos Jornalistas, na chapa que
tinha Arlindo Freire como presidente da
primeira diretoria eleita após a
fundação da Cooperativa dos
Jornalistas de Natal- COOJORNAT, que teve
como primeiro presidente o jornalista Dermi
Azevedo. Cheguei a ser eleito o terceiro
presidente da organização,
sucedendo ao também jornalista Sávio
Hackradt, seguindo-se na presidência
o colega Luciano Almeida e o gráfico
João Maria de Almeida.
Hoje, a minha vida corre normal, com direito
a uma farrinha de vez em quando, que ninguém
é de ferro. O meu segundo casamento,
com Maria de Lourdes Pereira, foi uma bênção.
Ambos vimos com filhos dos nossos primeiros
casamentos e estes se deram muito bem, o
que serviu de alento para duas pessoas que
não eram mais jovens e procuraram
construir um projeto de vida em comum.
É, pois, esta grande mulher, Maria
de Lourdes Pereira de Macedo, a responsável
direta por este trabalho. Eu já havia
começado a escrever este livro quando
me submeti a cirurgia para retirada de catarata,
que me deixou praticamente sem enxergar
pelo olho esquerdo devido a uma infecção
hospitalar. Este resultado negativo me abalou
de tal forma que abandonei o projeto. Dois
anos depois fiz a cirurgia do olho direito,
com êxito. Lourdinha começou
então a me incentivar para voltar
às minhas memórias. E aqui
estão elas, com certa paixão
é bem verdade, mas retratando em
sua quase totalidade um período triste
da minha existência. Agora, bons momentos
estou vivendo, como se fosse uma recompensa
do Todo Poderoso por tudo aquilo que passei.
Confesso que não sinto ódio
e já perdoei os que me fizeram mal,
com o sentimento cristão que sempre
me acompanhou e me acompanhará até
os minutos finais da minha vida. E se cito
nomes de figuras envolvidas naqueles momentos
tristes que vivemos é apenas para
que a história guarde nomes e as
novas gerações não
permitam que o nosso país volte a
se situar entre os países submetidos
a interferências internacionais, deslustrando
o nosso passado de nação soberana.
Que haja democracia, justiça social,
melhor distribuição da riqueza!
Que não tenhamos o desprazer de ver
famílias inteiras nos lixões
das grandes cidades procurando alguma coisa
para se alimentar. Se os nossos governantes
nada fizeram para que isto acabe, então
de nada adiantou a luta para que tivéssemos
uma democracia plena e estável, porque
com a fome do povo, com as carências
sociais, com a corrupção solta
por todos os recantos deste país
não poderemos esperar dias melhores.
E aí, poderá surgir um novo
Hitler, um Mussolini, um Stalin, um Franco
ou novamente uma ditadura como a de 1º
de abril de 1964, mais terrível,
mais injusta e mais submissa à política
internacional, que mais serve aos desígnios
dos “verdes pátrias”,
os mesmos dos momentos trágicos pelos
quais passamos na década de sessenta.
Eles estão de olho e não devemos
deixá-los repetir o que já
fizeram, atrasando ainda mais a marcha de
um povo que sonha com um país que
ainda não pode comemorar como deseja
a sua independência total. Sempre
tem algo faltando num país que pode
e deve ter um destino melhor.
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