Elementos
da Linguagem Fotográfica
Como forma de orientar o estudo da fotografia, descrevemos a seguir
alguns elementos da linguagem fotográfica e suas finalidades. 1.
Ponto de vista e composição:
A capacidade para selecionar e dispor os elementos de uma
fotografia depende em grande parte do ponto de vista do fotógrafo. Na
verdade, o lugar onde ele decide se colocar para bater uma foto constitui
uma de suas decisões mais críticas. Muitas vezes uma alteração, mesmo
mínima, do ponto de vista, pode alterar de forma drástica o equilíbrio
e a estrutura da foto.
Por isso torna-se indispensável andar de um lado para o outro,
aproximar-se e afastar-se da cena, colocar-se em um ponto superior ou
inferior a ela, a fim de observar o efeito produzido na fotografia por
todas essas variações. A composição nada mais é do que a arte de
dispor os elementos, do assunto a ser fotografado, da forma que melhor
atenda nossos objetivos. "A
composição deve ser uma de nossas preocupações constantes, até nos
encontrarmos prestes a tirar uma fotografia; e então, devemos ceder lugar
à sensibilidade" 2.
Planos:
Os Planos determinam o distanciamento da câmera em relação ao
objeto fotografado, levando-se em conta a organização dos elementos
dentro do enquadramento realizado. Os planos dividem-se em três grupos
principais (seguindo-se a nomenclatura cinematográfica) Plano Geral,
Plano Médio, Primeiro Plano. Uma mesma fotografia pode conter vários
planos, sendo classificada por aquele que é responsável por suas
características principais. ·
Plano Geral: o ambiente é o elemento primordial. O sujeito é um elemento
dominado pela situação geográfica. ·
Plano Médio: neste plano, sujeito ou assunto fotografados estão ocupando
boa parte do quadro, deixando espaço para outros elementos que deverão
completar a informação. Este plano é bastante descritivo, narrando a ação
e o sujeito. ·
Primeiro Plano: enquadra o sujeito dando destaque ao gesto, à emoção,
à fisionomia, podendo também ser um plano de detalhe, onde a textura
ganha força e pode ser utilizada na criação de fotografias abstratas. Também
é comum utilizarmos a expressão "Segundo Plano" para nos
referirmos a assuntos, pessoas ou objetos, que mesmo não estando em
destaque ou determinando o sentido da foto, têm sua importância. 3.
Perspectiva:
As fotografias são bidimensionais: possuem largura e comprimento,
e para se conseguir o efeito de profundidade é preciso que uma terceira
dimensão seja introduzida: a perspectiva.
Sem dúvida a perspectiva não passa de uma ilusão de ótica.
Quando seguramos um livro, mantendo o braço esticado, este objeto dará a
impressão de ser tão grande quanto uma casa situada a uma centena de
passos. Quanto mais se reduz a distância entre o livro e a casa, mais os
objetos se aproximam de suas verdadeiras dimensões. Só quando o livro se
encontra em um plano idêntico ao da casa, é que o tamanho aparente de
cada um deles eqüivale com exatidão ao real.
Através da perspectiva, linhas retas e paralelas dão a impressão
de convergir, objetos que encobrem parcialmente a outros dão a sensação
de profundidade, e através do distanciamento dos objetos temos a sensação
de parecerem menores.
Podemos utilizar a perspectiva para criar impressões subjetivas, e
o caso de efeitos de: "Mergulho" fotografar com a câmera num ângulo
superior ao assunto, diminuindo-o com relação ao espectador; e
"Contra-mergulho" a câmera num ângulo inferior ao assunto
criando uma sensação de poder, força e grandeza. Cada um destes
recursos deverá ser utilizado de acordo com o contexto e o objetivo do
fotógrafo. 4.
Luz, Forma e Tom:
A maioria dos objetos de uso diário pode ser identificada apenas
pelo seu contorno. A silhueta de um vaso, colocado contra a janela, será
reconhecida de imediato, porque todos nós já vimos muitos vasos antes.
Contudo, o espectador pode apenas tentar adivinhar se ele é liso ou
desenhado, ficando com a incerteza até que consiga divisar com clareza
sua forma espacial. E esta depende da luz.
A luz é indispensável à fotografia. A própria palavra
"fotografia", cunhada em 1839 por Sir. John Herschel, deriva de
dois vocábulos gregos que significam "escrita com luz". A luz
cria sombras e altas-luzes, e é isso que revela a forma espacial, o tom,
a textura e o desenho.
A fotografia é afetada pela qualidade e direção da luz.
Qualidade é o termo que aplicaremos para definir a natureza da fonte
emissora de luz. Ela pode ser suave, produzindo sombras tênues, com
bordas pouco marcadas (por exemplo, a luz natural em um dia nublado); ou
dura, produzindo sombras densas, com bordas bem definidas (luz do
meio-dia).
A altura e direção da luz têm influência decisiva no resultado
final da fotografia. Dependendo
da posição da luz da fonte luminosa, o assunto fotografado apresentará
iluminada ou sombreada esta ou aquela face. A seleção cuidadosa da direção
da luz nos permite destacar objetos importantes e esconder entre as
sombras aqueles que não nos interessa. ·
Luz lateral: é a luz que incide lateralmente sobre o objeto ou o assunto
fotografado, e se caracteriza por destacar a textura e a profundidade, ao
mesmo tempo que determina uma perda de detalhes ao aumentar
consideravelmente a longitude das sombras criando muitas vezes imagens
confusas. ·
Luz direta ou frontal: quando uma cena está iluminada frontalmente, a luz
vem por trás do fotógrafo, as sombras se escondem sob o assunto
fotografado. Este tipo de luz reproduz a maior quantidade de detalhes,
anulando a textura e achatando o volume da foto. ·
Contra-luz: é a luz que vem por trás do assunto convertendo-o em
silhueta, perdendo por completo a textura e praticamente todos os
detalhes. Denomina-se
Tom a transição das altas-luzes (áreas claras) para a sombra ( áreas
escuras). A gama de cinzas existente entre o preto e o branco.
Em uma fotografia onde se vê apenas a silhueta de um objeto,
recortada contra um fundo branco, não existindo portanto tons de cinza.
Esta será uma fotografia em alto-contraste. Uma fotografia que tem apenas
alguns tons de cinza predominando o preto e o branco será considerada uma
fotografia dura (bem contrastada). Já uma imagem onde predominem os tons
de cinza poderá ser considerada uma fotografia suave (pouco contrastada).
Existe uma "escala de cinzas" medida em progressão logarítmica,
que vai do branco ao preto. Esta escala é de grande utilidade, podendo-se
através dela interferir no resultado final da fotografia. 5.
Textura:
A textura e a forma espacial estão intimamente relacionadas,
entendendo-se como textura a forma espacial de uma superfície. É através
da textura que muitas vezes podemos reconhecer o material com o qual foi
feito um objeto que aparece em nossa fotografia, ou podemos afirmar que em
tal paisagem o campo que aparece é gramado ou não de terra.
Uma fonte luminosa mais dura, forte e lateral, irá privilegiar
mais a textura; enquanto uma luz mais difusa, indireta, suave, poderá
fazer desaparecer uma textura ou diminuir sua intensidade.
A textura pode ser considerada um fator de importância em uma
fotografia, em virtude de criar uma sensação de tato, em termos visuais,
conferindo uma qualidade palpável à forma plana. Ela não só nos
permite determinar a aparência de um objeto, como nos dá uma idéia da
sensação que teríamos em contato com ele. Podemos, através da luz,
acentuar ou eliminar texturas, a ponto de tornar irreconhecíveis objetos
do cotidiano. 6.
Linhas e Formas, os Desenhos:
O desenho pode transformar-se em um tema, e introduzir ordem e
ritmo em uma foto que, sem ele, talvez parecesse caótica. Nos casos onde
o seu efeito é muito grande, ele pode dominar a imagem, a ponto de os
outros componentes perderem quase por completo sua importância.
Linhas e formas podem ser usadas para criar imagens abstratas,
subjetivas, ou para desviar a atenção do assunto principal de uma
fotografia. 7.
Foco Profundidade de Campo:
Dentro dos limites técnicos, temos possibilidades de controlar não
só a localização do foco, como também a quantidade de elementos que
ficarão nítidos. Através destes controles, podemos destacar esta ou
aquela área dentro de um assunto fotografado. E o foco que vai ressaltar
um objeto em detrimento dos outros constantes da foto. 8.
Movimento:
Sempre que um objeto se move em frente à câmera fotográfica, sua
imagem projetada sobre o filme também se move. Se o movimento do objeto
é rápido e a câmera fica aberta, por um tempo relativamente longo, essa
imagem ou movimento será registrada como um borrão, um tremor, ou uma
forma confusa. Se o tempo de exposição for reduzido, o borrão também
será reduzido ou até eliminado. Um tempo de exposição à luz curto
(velocidade alta), pode "congelar" o movimento de um objeto,
mostrando sua posição num dado momento. Por outro lado, um tempo de
exposição longo (velocidade baixa), pode ser usado deliberadamente para
acentuar o borrão ou tremor sugerindo uma sensação de movimento.
Apostila
redigida e compilada pelo Corpo Docente da Clínica Fotográfica: Andrea
Sendyk, Malu Dabus Frota e Iatã Cannabrava Referências
Bibliográficas:
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