
A CÂMARA ESCURA: O PRINCÍPIO
DA FOTOGRAFIA
A
fotografia não tem um único inventor, ela é uma síntese de várias
observações e inventos em momentos distintos. A primeira
descoberta importante para a fotografia foi a Câmara Escura. O
conhecimento do seu princípio ótico é atribuido, por alguns
historiadores, ao chines Mo Tzu no século V a.C., outros indicam
o filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) como o responsável
pelos primeiros comentários esquemáticos da Camera Obscura.
Sentado sob uma árvore, Aristóteles observou a imagem do sol, em
uma eclipse parcial, projetando-se no solo em forma de meia lua ao
passar seus raios por um pequeno orifício entre as folhas de um
plátano. Observou também que quanto menor fosse o orifício,
mais nítida era a imagem. |
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Nos séculos
seguintes a Câmara Escura se torna comum entre os sábios
europeus, para a observação de eclipses soloares, sem prejudicar
os olhos. Entre eles o ingles Roger Bacon (1214-1294) e o erudito
hebreu Levi ben Gershon (1288-1344). Em 1521, Cesare Cesariano,
discípulo de Leonardo da Vinci, descreve a Câmara Escura em uma
anotação e em 1545, surge a primeira ilustração da Câmara
Escura, na obra de Reiner Gemma Frisius, físico e matemático
holandês. |

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No século
XIV já se aconselhava o uso da câmara escura como auxílio ao
desenho e à pintura. Leonardo da Vinci (1452-1519) fez uma descrição
da câmara escura em seu livro de notas sobre os espelhos, mas não
foi publicado até 1797. Giovanni Baptista della Porta
(1541-1615), cientista napolitano, em 1558 publicou uma descrição
detalhada sobre a câmera e seus usos no livro Magia Naturalis
sive de Miraculis Rerum Naturalium. Esta câmara era um
quarto estanque à luz, possuía um orifício de um lado e a
parede à sua frente pintada de branco. Quando um objeto era posto
diante do orifício, do lado de fora do compartimento, a sua
imagem era projetada invertida sobre a parede branca. |

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Em 1620,
o astrônomo Johannes Kepler utilizou uma Câmara Escura para
desenhos topográficos. O jesuita Athanasius Kircher, erudito
professor de Roma, descreveu e ilustrou uma Câmara Escura em
1646, que possibilitava ao artista desenhar em vários locais,
transportada como uma liteira e em 1685, Johan Zahn descreve a
utilização de um espelho, para redirecionar a imagem ao plano
horizontal, facilitando assim o desenho nas câmaras portáteis. |

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