Coleção
Memória das Lutas Populares no RN
Acervo Impresso
Hélio Xavier de Vasconcelos
Comitê
dos Juristas Potiguares pela Democracia
Textos
O
Comitê de Advogados e Juristas Potiguares pela Legalidade
O
Comitê de advogados e juristas potiguares pela legalidade
e democracia é um movimento que aglutina advogados e jurista
do Rio Grande do Norte em defesa da legalidade e da democracia,
nesse momento de crise política da sociedade brasileira.
Além dos advogados, dele participam juízes, membros
do Ministério Público, procuradores, consultores jurídicos,
professores de direito, dentre outros operadores do Direito.
Seu objetivo é discutir saídas democráticas
e legais para crise brasileira, com respeito à soberania
do voto popular e às garantias constitucionais do devido
processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da presunção
de inocência. Nesse diapasão, o Comitê propugna
por uma Justiça que combata e puna a corrupção,
mas não viole a democracia, nem o estado democrático
de direito. Defende ainda que os órgãos de controle
e investigação ajam com isenção e imparcialidade,
sem submeter-se aos fenômenos sociais da espetacularização
e da influência midiática.
Neste sentido, o Comitê de advogados e juristas potiguares
pela legalidade e democracia tem se destacado por analisar e combater
o processo de impeachment da Presidente da República, Dilma
Rousseff, e por criticar a politização e parcialidade
da Operação Lava Jato. O primeiro, por ignorar o pré-requisito
constitucional da existência de crime de responsabilidade;
a segunda, por realizar investigações seletivas e
vazar informações para os órgãos midiáticos,
com finalidades políticas tendenciosas.
O Comitê tem firmado a convicção jurídica
de que a Presidenta da República não cometeu os crimes
de responsabilidade referidos no art. 85 e seus incisos I a VII,
da Constituição Federal, pois as chamadas “pedaladas
fiscais” não tipificam qualquer ilícito capaz
de ensejar o processo de impeachment processado pelo presidente
da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Por isso, considera
que o ataque ao legítimo mandato presidencial constitui uma
afronta ao Estado Democrático de Direito, com negativas repercussões
para o desenvolvimento econômico, o avanço democrático
e social e a estabilidade da institucionalidade do país.
Finalmente, tem merecido sua veemente crítica as atitudes
de agentes públicos da esfera policial, judicial ou de controle
que, consciente ou inconscientemente, se pautam pelos interesses
midiáticos, corporativos ou partidários, sem as devidas
cautelas quanto ao uso de escutas telefônicas e de delações
premiadas, com prejuízo para garantia do sigilo profissional
de advogados e para intimidade das pessoas. Muitos dos abusos cometidos
tem servido de fomento à intolerância política
e ao aumento de tensões e ódios na sociedade brasileira.
É com esse entendimento que que o Comitê de advogados
e juristas potiguares pela democracia, pelas liberdades e contra
o golpe, se soma ao Centro dos Direitos Humanos e Memoria Popular,
nessa merecida homenagem ao democrata e destemido Hélio Xavier
de Vasconcelos, advogado, professor, ex-presidente da OAB/RN, que
por toda vida lutou pela democracia e justiça social em nosso
país.
Natal, abril de 2016.
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